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Odonto do esporte infantil: protetores 3D e sensores que previnem lesões

Odonto do esporte infantil: protetores 3D e sensores que previnem lesões
Editora Sia

Trauma orofacial em crianças e adolescentes que praticam esportes é mais comum do que parece. A boa notícia: a tecnologia já permite transformar prevenção em rotina clínica eficiente. Protetores bucais personalizados por fluxo digital, somados a sensores discretos que monitoram impactos e uso, elevam a segurança do atleta mirim, organizam o cuidado e geram dados objetivos para decisões rápidas.

Por que olhar para o atleta mirim agora

Futebol, basquete, artes marciais, handebol e skate concentram boa parte dos impactos na face na infância. A dentição em desenvolvimento, a presença de aparelhos e a alta intensidade dos treinos aumentam o risco de fraturas dentárias, lacerações e lesões de tecidos moles. O protetor bucal certo reduz significativamente a energia transmitida aos dentes e estruturas adjacentes. Com um fluxo digital simples, ele cabe na agenda e se torna um diferencial da sua clínica.

Fluxo digital do protetor: do escaneamento à entrega

  1. Triagem e indicação: identifique a modalidade praticada, frequência, histórico de trauma e presença de aparelho ortodôntico. Registre fotos e, se possível, vídeos da oclusão em repouso e mordida habitual.
  2. Escaneamento intraoral: digitalize ambas as arcadas e capture a relação oclusal leve em MIH. O escaneamento é rápido, evita moldagens desconfortáveis e cria base precisa para o design.
  3. Design CAD: delimite a margem cervical, ajuste espaços de folga e defina espessuras por zona (por exemplo, 3–4 mm na região incisal/oclusal e 2–3 mm nas faces vestibulares e palatinas). Para atletas de impacto maior, considere reforços internos em padrão de treliça para dissipar energia.
  4. Fabricação: duas rotas práticas:
    • Termoformagem sobre modelo impresso 3D com EVA ou TPU multicamadas.
    • Impressão 3D direta com resina flexível biocompatível, quando disponível e aprovada para oclusais.
  5. Prova e ajuste: verifique retenção, conforto, fala e respiração. Ajuste pontos de pressão com aquecimento controlado (EVA/TPU) ou pequenos alívios (resinas flexíveis). Teste a estabilidade em movimentos laterais e protrusivos leves.
  6. Entrega e instruções: oriente responsáveis e atleta sobre uso, limpeza e substituição. Registre termo de recebimento com fotos padronizadas do ajuste final.

Materiais e design que fazem diferença

  • EVA multicamadas: boa absorção de impacto, custo acessível e conforto. Camadas com densidades diferentes otimizam a dissipação de energia.
  • TPU: mais resistente à deformação e com memória elástica interessante para atletas com treinos intensos.
  • Resinas flexíveis para impressão 3D: quando certificadas, permitem espessura precisa, acabamento limpo e personalização de zonas de rigidez.
  • Design funcional: canal palatino/lingual para passagem de ar, recortes que respeitam freios, e acabamento que não interfere na fala. Em ortodontia ativa, recorte e folga controlados para acomodar bráquetes e fios.

Sensores discretos: dados que ampliam a proteção

Protetores com tecnologia embarcada começam a chegar à prática com soluções simples e úteis, especialmente quando a clínica lidera o protocolo de uso dos dados:

  • IMU (acelerômetro/giroscópio): registra picos de aceleração associados a impactos. Eventos acima de limiares pré-definidos disparam alerta para avaliação clínica e, quando necessário, médica para suspeita de concussão.
  • Sensores de pressão: mapeiam distribuição de carga durante o uso. Útil para ajustar pontos de contato e identificar apertamento excessivo em atletas ansiosos.
  • Termistor/tempo de uso: confirma adesão (tempo efetivo em boca durante treino/jogo), informação valiosa para treinadores e responsáveis.
  • NFC para identificação: facilita rastreio do dispositivo da criança em ambientes com muitos atletas.

Os dados podem ser sincronizados com aplicativos simples, acessados pelos responsáveis e armazenados de forma segura no prontuário. Use relatórios objetivos: número de sessões com uso, eventos de impacto por período, e notas de ajuste realizadas.

Protocolos rápidos que cabem na agenda

  • Consulta 1 (30–40 min): anamnese focada em esporte, escaneamento, seleção de material e cor, e fotografias padrão. Combine expectativas de conforto e fala.
  • Consulta 2 (20–30 min): prova, ajustes e instruções. Se houver sensor, valide pareamento e demonstração do app aos responsáveis.
  • Revisão: a cada 3–6 meses em dentição mista ou uso ortodôntico; 6–12 meses em dentição permanente, ou antes se houver crescimento, desgaste ou deformação.

Higiene e conservação sem mistério

  • Limpeza diária: água fria, sabonete neutro e escova macia. Evite calor (deforma o material) e produtos abrasivos.
  • Desinfecção periódica: imersão breve em solução recomendada pelo fabricante (por exemplo, clorexidina em baixa concentração) e enxágue abundante.
  • Transporte: estojo ventilado e identificado. Oriente a não deixar no carro ou exposição ao sol.

Integração com escolas e clubes

Parcerias formais com escolas e clubes esportivos ampliam o alcance preventivo. Padronize:

  • Atestados de proteção com validade e recomendações de uso.
  • Roteiro pós-impacto: check-list simples para técnicos e responsáveis (remover protetor, checar sangramento, dor, mobilidade dentária, e quando acionar avaliação).
  • Consentimento informado para coleta e compartilhamento de dados de sensores, com transparência e segurança.

Métricas que importam para a clínica

  • Taxa de uso por atleta e por modalidade.
  • Eventos de impacto significativos e condutas tomadas.
  • Tempo até substituição e motivos (crescimento, desgaste, perda, ajuste ortodôntico).
  • Satisfação de responsáveis e adesão dos clubes.

Com esses indicadores, a prevenção deixa de ser discurso e vira entrega mensurável de segurança.

Fechando o ciclo com organização digital

Para que o programa de proteção esportiva infantil funcione, o bastidor precisa ser leve: cadastro dos atletas, acompanhamento de revisões, alertas de troca e relatórios para responsáveis. Um software odontológico em nuvem simplifica a rotina, integra dados do escaneamento, fotos e relatórios de sensores, e centraliza a comunicação com pais e escolas.

Onde o Siodonto entra nessa história: além do prontuário completo e da organização das revisões, o Siodonto ajuda você a estruturar parcerias com escolas e clubes. O chatbot integrado tira dúvidas de pais em tempo real e o funil de vendas acompanha cada etapa — da primeira triagem ao agendamento da prova do protetor — sem perder oportunidades. É como ter uma central de atendimento inteligente e sempre disponível, enquanto você foca no que importa: prevenção segura e resultados clínicos superiores para seus pequenos atletas.

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