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Função mastigatória em dados: sensores que guiam reabilitações seguras

Função mastigatória em dados: sensores que guiam reabilitações seguras
Editora Sia

Na prática clínica, perceber que o paciente mastiga “melhor” após um tratamento é valioso — mas medir essa melhora muda o jogo. A tecnologia já permite transformar a função mastigatória em dados objetivos, úteis para planejar, ajustar e comprovar resultados em reabilitação oral, DTM, ortodontia em adultos e acompanhamento pós-cirúrgico. Neste artigo, mostramos como incorporar sensores e protocolos simples ao seu fluxo, sem complicar a rotina.

O que medir quando falamos de mastigação

Função mastigatória não é só “força de mordida”. Um retrato útil combina parâmetros que se complementam:

  • Força e distribuição de carga: valores de mordida máxima e simetria entre lados, identificando sobrecargas e padrões compensatórios.
  • Ativação muscular (EMG de superfície): atividade de masseter e temporal durante apertamento padronizado e mastigação habitual, observando equilíbrio e fadiga.
  • Cinemática mandibular: amplitude, regularidade e desvio de trajeto, avaliados com sensores inerciais (IMU) ou rastreamento por câmera.
  • Eficiência mastigatória: capacidade de fragmentar um alimento-teste padronizado, mensurada por análise de partículas ou testes colorimétricos.

Esse conjunto de medidas oferece um mapa funcional prático: como o paciente morde, como a musculatura trabalha e o quão eficaz é a trituração.

Ferramentas acessíveis para a clínica

Sem necessidade de um laboratório sofisticado, é possível montar um kit de avaliação robusto:

  • Sensores de mordida finos: filmes sensíveis à pressão ou dispositivos eletrônicos compactos, com leitura de força e distribuição. Úteis para estabelecer baseline e verificar impacto de ajustes oclusais ou novas próteses.
  • EMG de superfície portátil: eletrodos adesivos e módulos sem fio registram a atividade muscular com boa relação sinal-ruído. Permite comparar lados e avaliar fadiga após tarefas padronizadas.
  • IMU mandibular: pequenos acelerômetros/giroscópios acoplados de forma segura (ex.: suporte labial/mento) medem amplitude e ritmo mastigatório.
  • Testes de eficiência: goma colorimétrica ou alimentos padrão (amendoim, gelatina) avaliados com fotografias padronizadas e análise digital (segmentação de cor/partículas).

O segredo está menos no equipamento e mais na padronização: mesmo protocolo antes e depois da intervenção, condições semelhantes de postura, tempo e instruções.

Protocolos de 15 minutos que cabem no seu fluxo

Experimente um roteiro simples de avaliação, ideal para reabilitações, DTM e checagens após ajustes:

  1. Triagem rápida (2 min): dor, rigidez matinal, dificuldade para mastigar alimentos específicos e escala visual de conforto.
  2. Força de mordida (3 min): três tentativas por lado e mordida bilateral, com descanso curto. Registre valor máximo e variação.
  3. EMG de masseter e temporal (4 min): apertamento leve e forte por 5 segundos, depois mastigação unilateral padronizada por 15 segundos de cada lado.
  4. Eficiência mastigatória (4 min): goma colorimétrica mastigada por tempo fixo; fotografe em fundo padronizado e use análise simples de tonalidade/uniformidade.
  5. Resumo visual (2 min): mostre ao paciente força, equilíbrio muscular e eficiência. Defina metas (ex.: reduzir assimetria, elevar eficiência em X%).

Com repetição após a intervenção (ex.: instalação de prótese, ajuste oclusal, placa, sessão de terapia), você obtém um “antes e depois” com significado clínico — e comunicável.

Aplicações práticas por especialidade

  • Reabilitação oral e prótese: medir distribuição de carga e eficiência confirma estabilidade funcional da nova prótese e orienta pequenos ajustes que fazem grande diferença no conforto.
  • DTM: EMG e cinemática apontam padrões de hiperatividade ou assimetria. Metas objetivas ajudam a acompanhar resposta a placas, fisioterapia e reeducação.
  • Ortodontia em adultos: além do alinhamento, é possível evidenciar ganho funcional real (trajetos mais regulares, menor esforço) durante e após o tratamento.
  • Implantodontia: após carga, acompanhar a evolução de força e simetria auxilia na proteção da reabilitação, especialmente em pacientes com histórico de parafunção.
  • Geriatria odontológica: eficiência mastigatória como indicador de qualidade de vida, nutrição e necessidade de ajustes/remodelagens periódicas.

Boas práticas para dados confiáveis

  • Padronize instruções: as mesmas palavras, mesma posição de cabeça e tempo de tarefa.
  • Controle variáveis: evitar avaliação logo após café, treino físico intenso ou uso recente de analgésicos relaxantes.
  • Calibração e higiene: siga rotinas de calibração recomendadas e use barreiras/antissépticos compatíveis com os sensores.
  • Interpretação clínica: números não substituem o exame; complemente com palpação, amplitude, dor provocada e histórico.

Como começar sem complicar

Inicie com dois pilares e evolua:

  • Etapa 1: sensor de mordida + teste de eficiência. Entrega um “retrato funcional” rápido, ótimo para reabilitação e revisão de ajustes.
  • Etapa 2: acrescente EMG portátil para correlacionar força com esforço muscular e fadiga.
  • Etapa 3: incorpore IMU/câmera para trajetos mandibulares quando atuar com DTM/ortodontia funcional.

Crie modelos de laudos simples, com gráficos e metas. Isso reduz retrabalho, padroniza a comunicação com o paciente e facilita auditorias internas de qualidade.

Comunicação que aumenta adesão

Mostrar ao paciente a evolução do “quanto e como” ele mastiga muda a conversa. Em vez de “está melhor?”, você apresenta curvas de força mais estáveis, EMG menos assimétrico e maior eficiência. Isso sustenta decisões (ex.: ajustes adicionais, manutenção precoce, fisioterapia) e aumenta a confiança no plano.

Privacidade e organização

Mesmo com dados fisiológicos aparentemente inofensivos, respeite a confidencialidade: registre consentimento para coleta, explique finalidade e tempo de guarda, e mantenha vínculos claros entre medições e episódios clínicos para rastreabilidade.

O essencial

  • Mastigação medida é mastigação que orienta: decisões menos empíricas em reabilitação, DTM, ortodontia e implantes.
  • Protocolos rápidos: 10–15 minutos bastam para capturar informações que mudam condutas.
  • Evolua em etapas: comece simples, padronize, e amplie o arsenal conforme a demanda da clínica.

No fim, tecnologia não substitui o olhar clínico — ela o amplia. E quando os dados fazem sentido para o dentista e para o paciente, a prática ganha previsibilidade e resultados mais consistentes.

Para organizar essa nova camada de informação na rotina, vale contar com um software odontológico que fale a linguagem da clínica. O Siodonto concentra métricas, laudos e imagens em um prontuário ágil e visual, além de oferecer um chatbot que responde dúvidas e um funil de vendas que acompanha cada oportunidade até virar consulta. É uma plataforma que transforma dados em atendimento fluido e conversões reais — da primeira triagem à revisão de resultados.

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