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Radiologia 6 min de leitura

Ultrassom à mão na odontologia: decisões rápidas e seguras no consultório

Ultrassom à mão na odontologia: decisões rápidas e seguras no consultório
Editora Sia

A prática odontológica já não se limita a brocas, radiografias e modelos. Entre as tecnologias que ganharam espaço na cadeira, o ultrassom point-of-care (POCUS) destaca-se por entregar respostas em tempo real, sem radiação, com baixo custo operacional e impacto direto na decisão clínica. Usado com critério, ajuda a diferenciar quadros, definir encaminhamentos e comunicar achados ao paciente com clareza.

Quando o ultrassom ajuda na cadeira

  • Glândulas salivares (parótida e submandibular): dor e edema recorrentes? O POCUS identifica sialolitíase (cálculos com sombra acústica), sialadenite (aumento e heterogeneidade do parênquima) e dilatação ductal. Também auxilia na triagem de massas, guiando a urgência do encaminhamento.
  • Linfonodos cervicais: em quadros infecciosos, o exame avalia tamanho, forma e presença de hilo gorduroso. Sinais de alerta (ausência do hilo, contornos irregulares, vascularização periférica predominante) sugerem investigação adicional.
  • Lesões de partes moles intra e extraorais: mucoceles, cistos e abscessos superficiais podem ser caracterizados rapidamente. Visualizar a coleção reduz tentativas de drenagem às cegas e favorece a condução mais segura.
  • Musculatura mastigatória: em mialgia ou hipertrofia, o ultrassom ajuda a documentar espessura e ecotextura muscular, apoiar reabilitações e educação do paciente. Em cenários selecionados, pode orientar infiltrações em serviços habilitados.
  • ATM (avaliação de partes moles periarticulares): embora não substitua métodos específicos para disco articular, o POCUS auxilia a identificar derrame e alterações de tecidos moles adjacentes, colaborando na triagem.
  • Mapeamento vascular superficial: antes de procedimentos em lábios e bochecha, o Doppler colorido evita surpresas, reduz risco de hematomas e melhora a previsibilidade.

Equipamento, transdutor e presets

Para aplicações odontológicas, um transdutor linear de alta frequência (10–18 MHz) é o mais versátil, oferecendo excelente resolução para estruturas superficiais. Presets de “partes moles” ou “vascular” agilizam a configuração, e o Doppler colorido ajuda a analisar fluxo sanguíneo quando necessário. Tenha gel de qualidade, capas de proteção para o transdutor, barreira física para o cabo e rotina clara de desinfecção entre pacientes.

Plataformas portáteis (inclusive conectadas ao smartphone ou tablet) facilitam o uso à beira da cadeira. O essencial é garantir estabilidade da imagem, boa ergonomia e um processo de documentação que registre imagens e medidas com lateralidade e localização precisas.

Protocolo rápido de exame na clínica

  1. Indicação e consentimento: explique por que o ultrassom será útil (por exemplo, diferenciar edema inflamatório de abscesso). Verifique alergia ao gel e obtenha consentimento.
  2. Posicionamento e assepsia: paciente em posição confortável, iluminação adequada e pele limpa. Utilize barreiras no transdutor e higienize conforme protocolo do fabricante.
  3. Varredura sistemática: para glândulas, explore longitudinal e transversalmente; para lesões, avalie planos, contornos e relação com estruturas adjacentes. Em linfonodos, examine níveis cervicais pertinentes.
  4. Medidas e registros: capture imagens representativas (com escala e rótulos), mensure dimensões e, quando aplicável, ative o Doppler para vascularização.
  5. Integração à decisão: descreva achados em linguagem simples, defina conduta (monitoramento, intervenção, antibioticoterapia criteriosa, encaminhamento) e anexe tudo ao prontuário.

O que observar no POCUS odontológico

  • Ecotextura e contornos: parênquima homogêneo sugere normalidade; heterogeneidade e bordas irregulares pedem atenção.
  • Sombra acústica: forte indicativo de cálculo salivar.
  • Ductos dilatados: reforçam obstrução; siga o trajeto para localizar o ponto crítico.
  • Conteúdo de lesões: anecoico (líquido), com debris (conteúdo purulento), ou sólido (necessita investigação causística).
  • Compressibilidade e dor à compressão: auxiliam a distinguir coleção de tecido firme.
  • Linfonodos: formato oval com hilo ecogênico central costuma ser reacional; ausência de hilo e forma arredondada ou vascularização periférica são sinais de alarme.

Limitações e segurança

O ultrassom é operador-dependente e tem limitações para avaliar estruturas profundas e pequenas calcificações em trajetos complexos. Na ATM, a avaliação do disco exige métodos específicos. Achados suspeitos devem ser correlacionados com clínica, outros exames de imagem e, quando indicado, biópsia. Em biossegurança, siga a instrução do fabricante para limpeza do transdutor, use barreiras e evite acúmulo de gel em áreas de mucosa. Documente sempre a indicação e os achados.

Treinamento e incorporação ao fluxo

Para iniciar com segurança, invista em capacitação prática focada em glândulas salivares, linfonodos e partes moles. Padronize um checklist de exame e crie templates de laudo que facilitem a reprodutibilidade: motivo do exame, técnica (transdutor, presets), achados, medidas, Doppler (quando aplicável) e conclusão com conduta sugerida. Estabeleça indicadores simples para acompanhar impacto: tempo até a decisão, redução de encaminhamentos desnecessários, acerto na indicação de antibióticos e satisfação do paciente.

Valor para o paciente e para a clínica

O POCUS amplia a segurança ao diferenciar edema de abscesso em minutos, apoia o diagnóstico rápido em sialolitíase e melhora a comunicação visual (o paciente enxerga o problema, entende a conduta e adere melhor). Para a clínica, reduz incertezas, qualifica encaminhamentos e gera documentação objetiva que protege a tomada de decisão. Em conjunto com outras tecnologias, o ultrassom torna a prática mais ágil, resolutiva e centrada no paciente.

Dica de implementação: comece por cenários de maior ganho clínico (glândulas e abscessos superficiais), selecione casos, registre imagens de qualidade e revise resultados em reuniões clínicas curtas. A experiência acumulada fará o método ganhar espaço com segurança.

No fim, tecnologia boa é aquela que vira rotina sem atrapalhar o fluxo. O ultrassom à mão cumpre esse papel: rápido, informativo e alinhado a uma odontologia moderna, que decide com dados e explica com imagens.

Para organizar essa jornada, conte com o Siodonto. Além de centralizar imagens, laudos e consentimentos no prontuário digital, o Siodonto conecta sua equipe e padroniza passos com modelos práticos. E quando o assunto é crescimento, o sistema traz um chatbot que atende 24/7 e um funil de vendas que acompanha cada oportunidade — da primeira conversa ao agendamento — sem perder o compasso clínico. É a tecnologia ajudando sua clínica a cuidar melhor e converter com elegância.

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