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Terapia fotodinâmica antimicrobiana: protocolo prático e resultados

Terapia fotodinâmica antimicrobiana: protocolo prático e resultados
Editora Sia

A terapia fotodinâmica antimicrobiana (aPDT) deixou de ser um tema de congresso para se tornar ferramenta real no consultório. Ao combinar um fotossensibilizador com luz em comprimento de onda específico, a aPDT gera espécies reativas de oxigênio que danificam membranas e DNA de microrganismos, reduzindo a carga microbiana sem induzir resistência. O melhor: é minimamente invasiva, rápida e adiciona previsibilidade a tratamentos desafiadores.

Como a aPDT funciona, em linguagem direta

O passo-a-passo biofísico é simples:

  • Aplicação do fotossensibilizador (ex.: azul de metileno ou azul de toluidina) que se liga preferencialmente ao biofilme e a bactérias.
  • Irradiação com luz (geralmente na faixa do vermelho, 630–660 nm, ou próximo ao infravermelho), por tempo e energia calculados.
  • Geração de espécies reativas de oxigênio que oxidam estruturas microbianas, levando à inativação do patógeno.

Importante: aPDT não é fotobiomodulação. Na fotobiomodulação, a luz modula processos celulares do hospedeiro (analgesia, reparo). Na aPDT, a luz é o gatilho para um ataque químico localizado contra o microrganismo.

Onde a aPDT ajuda na rotina odontológica

  • Periodontia: como adjuvante à raspagem e alisamento radicular (RAR) em bolsas moderadas e profundas, especialmente em locais com acesso difícil ou biotipo fino em que o destracionamento cirúrgico pode ser indesejado.
  • Endodontia: complemento à irrigação convencional em canais complexos (istmos, deltas apicais), com potencial para reduzir a carga de E. faecalis e biofilme persistente.
  • Mucosa oral: suporte a protocolos de descontaminação em lesões ulceradas infectadas e no manejo adjunto de candidíase resistente.
  • Implantodontia: manejo de peri-implantite como adjuvante à debridamento mecânico e químico, com cuidado para proteger as superfícies sensíveis.
  • Halitose e cárie inicial: abordagem localizada em dorso de língua e fissuras ou em lesões de mancha branca sob acompanhamento estrito.

Protocolo prático, passo a passo

  1. Seleção do caso: avalie profundidade, acesso, sangramento e presença de supuração. Defina objetivos mensuráveis (redução de sangramento à sondagem, diminuição de profundidade de bolsa, redução de sensibilidade, alívio de dor, cicatrização).
  2. Preparo mecânico/Químico: realize RAR/endodontia conforme o protocolo. A aPDT é adjuvante, não substituto.
  3. Fotossensibilizador: escolha um produto com registro válido e compatível com o comprimento de onda disponível. Preencha o sítio (bolsa/canal/mucosa) e aguarde o tempo de pré-incubação do fabricante (geralmente 60–180 s).
  4. Irradiação:
    • Fonte: LEDs ou lasers de baixa potência compatíveis (ex.: 630–660 nm).
    • Parâmetros típicos: irradiância de 100–200 mW/cm², dose de 6–12 J/cm², tempo de 60–120 s por área; em canais, uso de pontas finas com movimento helicoidal lento, respeitando a segurança apical.
    • Distância: mantenha o emissor próximo e perpendicular, sem sombra causada por instrumentos.
  5. Remoção excessos: lave gentilmente, especialmente em canais radiculares, evitando extrusão.
  6. Reavaliação: registre sangramento, dor, profundidade de bolsa e, em endodontia, sinais/sintomas e controle radiográfico seriado.

Dica clínica: em bolsas profundas, use cânulas finas para garantir que o corante atinja toda a extensão; em peri-implantite, proteja tecidos e próteses para evitar pigmentação indesejada.

Segurança e cuidados

  • Contraindicações relativas: hipersensibilidade aos corantes, gestação quando não há necessidade clínica explícita (por prudência), e uso em áreas com comprometimento vascular severo sem avaliação.
  • Proteção ocular: óculos compatíveis com o comprimento de onda utilizado para equipe e paciente.
  • Tecido sadio: a aPDT é seletiva por afinidade do corante e presença de microrganismos, mas evite excesso de corante em tecido saudável.
  • Interferências: sangue e pus podem reduzir a eficácia; faça hemostasia básica e irrigação prévia.

O que a evidência mostra

Revisões e ensaios clínicos indicam que a aPDT, como adjuvante, pode:

  • Reduzir sangramento à sondagem e profundidade de bolsa em periodontite, especialmente a curto prazo e em locais de difícil acesso.
  • Aumentar a redução bacteriana intrarradicular quando combinada à irrigação convencional na endodontia, impactando dor pós-operatória em alguns cenários.
  • Apoiar o controle de peri-implantite como complemento à decontaminação mecânica e química.

Como todo recurso adjuvante, o efeito depende da execução correta e da seleção do caso. Parâmetros subdosados, tempo insuficiente de pré-incubação e sombras na irradiação são causas comuns de resultados aquém do esperado.

Erros comuns e como evitar

  • Usar qualquer luz com qualquer corante: ajuste o comprimento de onda à banda de absorção do fotossensibilizador escolhido.
  • Pular o tempo de pré-incubação: compromete a ligação do corante ao biofilme.
  • Não medir desfechos: sem baseline e reavaliação (14, 30, 90 dias), você não saberá se funcionou.
  • Aplicar em área com exsudato intenso: reduza material orgânico antes, ou a luz não alcança o alvo.

Integração ao seu fluxo de trabalho

  • Padronize kits: bandeja com corante, aplicadores, cânulas, pontas ópticas e óculos, pronta por procedimento.
  • Protocolos visíveis: fixe cartões com parâmetros por indicação (bolsas, canais, mucosa) na área clínica.
  • Registros fotográficos: antes/depois facilitam a comunicação com o paciente e a comparação objetiva de resultados.
  • Consentimento informado: explique que é um adjuvante, com benefícios e limites, e registre no prontuário.

Quanto cobrar e como comunicar o valor

Posicione a aPDT como um reforço de controle microbiano que aumenta a previsibilidade e pode reduzir desconforto e retratamentos. Estruture valores como complemento ao procedimento principal (RAR, terapia periodontal, endodontia) e deixe claro o racional técnico ao paciente.

Para fechar: a aPDT é uma tecnologia madura, de curva de aprendizado curta, que conversa com a prática clínica moderna. Em casos selecionados e com protocolo consistente, agrega controle microbiano, conforto e previsibilidade — sem aumentar a invasividade.

Dica extra para sua rotina digital: organizar protocolos, consentimentos e reavaliações fica mais simples com um software odontológico que centraliza tudo. O Siodonto ajuda a padronizar o prontuário, a registrar fotos e a acompanhar desfechos, além de turbinar o relacionamento com pacientes. Com chatbot e funil de vendas integrados, você automatiza respostas, pré-triagem e retornos, transformando interesse em consultas efetivas. É tecnologia pensando no cuidado e também no crescimento da clínica.

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