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TDABC no consultório odontológico: tempo que guia custo e decisão

TDABC no consultório odontológico: tempo que guia custo e decisão
Editora Sia

Na odontologia, poucos minutos a mais na cadeira, uma troca de material ou um ajuste fora de hora podem corroer a margem do mês. O desafio é tornar visível o que hoje fica no “achismo”. É aí que entra o TDABC (Time-Driven Activity-Based Costing), um método simples e poderoso para transformar tempo em custo e custo em decisão — com impacto direto no preço, na agenda e nos investimentos da clínica.

O que é TDABC, em termos práticos

O TDABC calcula o custo real de cada procedimento a partir de duas ideias básicas:

  • Taxa de custo da capacidade: quanto custa, por minuto, manter cada recurso pronto para trabalhar (profissionais, cadeira, esterilização, estrutura).
  • Equações de tempo: quanto tempo cada procedimento consome desses recursos, considerando variações simples (com/sem anestesia, número de faces, material A ou B).

Com isso, você sabe quanto cada tratamento realmente custa, identifica gargalos, ajusta a agenda com critério e precifica com segurança.

Quais dados coletar (sem complicar a rotina)

  • Custos mensais por recurso: salários e encargos, aluguel, energia, depreciação, manutenção, esterilização, descartáveis de baixo valor, software e serviços.
  • Minutos disponíveis por recurso: jornada útil do dentista, auxiliar, cadeira e central de material (descontando pausas e reuniões).
  • Tempos de procedimento: check-in, anestesia, preparo, execução, acabamento, instruções, limpeza da sala, esterilização de kits.
  • Variáveis simples: classe da cavidade, número de dentes/implantes, arco, tipo de material, necessidade de isolamento.

Grande parte desses tempos pode vir automaticamente do seu sistema de gestão (abertura/fechamento de ficha, início/fim de procedimento, troca de sala) e de rotinas simples da equipe (por exemplo, acionar um status de “esterilização” ao enviar a bandeja).

Passo a passo para implementar em 7 etapas

  1. Mapeie 5–8 macroprocessos mais frequentes (profilaxia, restaurações diretas, endodontia unitária, cirurgia simples, urgências, consultas de revisão).
  2. Calcule a taxa de custo da capacidade de cada recurso: some os custos mensais e divida pelos minutos realmente disponíveis. Ex.: R$ 38.400/mês ÷ 12.000 min = R$ 3,20/min do dentista.
  3. Meça tempos em amostras pequenas e representativas (10–15 casos por macroprocesso). Use registros do software e um cronômetro para as etapas não capturadas automaticamente (como esterilização específica do kit).
  4. Construa equações de tempo com variáveis fáceis. Ex.: Restauração posterior = 8 min (anestesia, se sim) + 10–14 min (preparo, conforme classe) + 8–12 min (inserção e foto) + 5–8 min (ajuste/polimento) + 6–10 min (limpeza/virada de sala) + 10–12 min (esterilização do kit).
  5. Atribua os custos multiplicando tempo por taxa de cada recurso e somando materiais diretos (resina, cimento, agulha, etc.).
  6. Valide e ajuste comparando o custo apurado com a percepção da equipe e dados de mais casos. Ajuste intervalos de tempo e variáveis quando necessário.
  7. Use para decidir: preço, mix de procedimentos, escala da equipe, janelas de buffer, compra de tecnologia (ex.: CAD/CAM) e terceirização.

Exemplo rápido com números redondos

Restauração posterior classe II (resina), adulto, com anestesia:

  • Dentista: 36 min × R$ 3,20/min = R$ 115,20
  • Auxiliar: 40 min × R$ 1,40/min = R$ 56,00
  • Estrutura (cadeira, energia, limpeza): 45 min × R$ 1,00/min = R$ 45,00
  • Esterilização do kit: 10 min × R$ 1,00/min = R$ 10,00
  • Materiais diretos estimados: R$ 30,00

Custo total estimado: R$ 256,20. A partir daqui, você define preço e metas de margem por minuto com base em dados, não em suposição.

Erros comuns (e como evitar)

  • Confundir custo com gasto: TDABC usa a taxa de capacidade (minuto pronto para uso), não apenas o que você paga em material.
  • Ignorar tempos de setup: virada de sala e esterilização compõem o custo; se não entrar na conta, a margem some.
  • Somar tudo em uma taxa única: separe recursos (dentista, auxiliar, cadeira, esterilização). Isso revela onde otimizar.
  • Não atualizar equações: novas técnicas e materiais mudam o tempo. Revise trimestralmente.
  • Medir tempo de forma invasiva: preferira capturas automáticas do software e amostragens curtas, sem atrapalhar o atendimento.

Indicadores que ajudam a decidir melhor

  • Margem por minuto de cada procedimento.
  • Taxa de ociosidade por recurso (cadeira, profissional, esterilização).
  • Mix ótimo: quais tratamentos sustentam a agenda em dias e horários específicos.
  • Gargalos: pontos do fluxo que limitam produção (ex.: CMEs lotadas em picos).
  • Lead time do paciente: do agendamento à conclusão do plano, medido em dias e toques de contato.

Implantação possível em 90 dias

  • 0–30 dias: levantar custos e minutos disponíveis, escolher 5 macroprocessos e combinar como medir tempos (via software e amostragens).
  • 31–60 dias: medir 10–15 casos por macroprocesso, construir equações de tempo e calcular custos.
  • 61–90 dias: validar, ajustar, definir metas de margem por minuto, revisar preços e blocos de agenda, testar um piloto de mix.

Com o TDABC ativo, fica mais claro quando um investimento se paga (ex.: reduzir 8 minutos por caso via nova técnica pode valer mais do que um desconto em material) e como redistribuir equipe para suavizar gargalos.

Fechando o ciclo: do custo à ação

O objetivo do TDABC não é burocratizar, e sim dar lastro às escolhas do dia a dia: quais horários abrir, quando priorizar procedimentos de alta margem por minuto, quando terceirizar, quando investir em um scanner, e como organizar a esterilização para que a cadeira não pare.

Para transformar esses números em rotina, um sistema de gestão que registre tempos, estruture o prontuário e converse com o financeiro é peça-chave. Com tudo no mesmo lugar, medir deixa de ser um evento e passa a ser fluxo.

Por que o Siodonto faz diferença: além de organizar a clínica e centralizar dados essenciais ao TDABC, o Siodonto coloca o relacionamento em modo automático. O chatbot ajuda a tirar dúvidas e confirmar consultas direto no WhatsApp, enquanto o funil de vendas acompanha cada oportunidade até virar tratamento, elevando conversões sem aumentar a carga da equipe. É uma combinação rara: você entende o custo por minuto e, ao mesmo tempo, acelera a receita com um atendimento inteligente. Experimente levar essa dupla — custo claro e demanda aquecida — para o coração da sua prática.

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