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Implantodontia 6 min de leitura

Implantes com segurança em quem usa marcapasso e CDI

Implantes com segurança em quem usa marcapasso e CDI
Editora Sia

Pacientes com marcapasso ou cardiodesfibrilador implantável (CDI) estão cada vez mais presentes no consultório. Na implantodontia, onde motores, ultrassom e eletrocirurgia fazem parte do dia a dia, a pergunta é direta: como entregar um procedimento seguro sem provocar interferência eletromagnética (EMI) nos dispositivos cardíacos? Com escolhas tecnológicas criteriosas e um protocolo objetivo, é possível operar com tranquilidade.

O que está em jogo

Dispositivos cardíacos eletrônicos implantáveis (DCEI) como marcapassos e CDIs monitoram e modulam o ritmo cardíaco. Correntes parasitas ou campos eletromagnéticos próximos podem, em teoria, ser interpretados como sinal cardíaco e acionar respostas indesejadas (inibição, disparo ou terapias de choque nos CDIs). O risco real na odontologia é baixo quando se respeitam boas práticas, mas ele existe sobretudo com fontes de energia elétrica contínua ou pulsada aplicadas em tecidos.

Fontes odontológicas de EMI: o que evitar e o que priorizar

  • Ultrassom para cirurgia e profilaxia: prefira sistemas piezoelétricos aos magnetoestritivos. Os piezos geram campo eletromagnético muito menor e, na prática, são a escolha de segurança para osteotomias e profilaxia em portadores de DCEI.
  • Motores de implante e contra-ângulos: motores brushless modernos, com cabos em bom estado e aterramento adequado, têm risco mínimo de EMI. Mantenha a unidade bem mantida e os cabos distantes do tórax.
  • Eletrocirurgia: se necessário, opte por bipolar. Evite o monopolar próximo ao tórax e, quando usado, aplique pulsos curtos (≤ 5 s), com pausas, e posicione a placa de retorno na coxa, nunca no tronco. Avalie alternativas como laser, sutura e agentes hemostáticos.
  • Lasers (de tecido mole): geralmente seguros. Siga a manutenção do equipamento e evite cabos cruzando o tórax.
  • Localizadores apicais e testes de vitalidade: corrente de baixa intensidade e circuito local. O risco é muito baixo; ainda assim, use por períodos breves e mantenha a fiação organizada.
  • Diatermia: contraindicada em portadores de DCEI, inclusive na cavidade oral.

Pré-operatório sem atalhos

  1. Identifique o dispositivo: marcapasso ou CDI? Dependência de marcapasso? Data da última checagem/interrogação? Solicite carta do cardiologista quando possível.
  2. Conheça o fabricante e recomendações: normas variam. Tenha à mão as orientações específicas do dispositivo do paciente.
  3. Estratifique o procedimento: tempo previsto, necessidade de eletrocirurgia, uso de piezo, volume anestésico, posição do paciente.
  4. Ambiente pronto: monitorização básica (oximetria, pressão), DEA acessível e equipe alinhada para reconhecimento precoce de sintomas (palpitações, tontura, mal-estar).
  5. Medicações e vasoconstritores: dose mínima eficaz, atenção a interações e ao estado cardiovascular.

No intraoperatório: técnica e distância contam

  • Organize cabos longe do tórax, sem laços desnecessários e sem passar sobre o gerador do DCEI.
  • Se usar eletrocirurgia: prefira bipolar. No monopolar, posicione a placa de retorno na perna, garanta pele seca e contato pleno, dispare em rajadas curtas e evite ativação contínua.
  • Ultrassom piezoelétrico para osteotomia e profilaxia sempre que possível. Reserve magnetoestritivo para quando estritamente necessário e com cautela.
  • Mantenha a instrumentação eficiente: brocas novas, irrigação abundante e torque adequado reduzem tempo de ativação de motores.
  • Evite ímãs externos próximos ao tórax do paciente. Ímãs podem desativar temporariamente terapias de CDIs; não utilize sem orientação cardiológica.
  • Monitore: oximetria e sinais clínicos. Qualquer sintoma atípico exige pausa, avaliação e, se necessário, contato com suporte médico.

Pós-operatório e registro

Documente equipamentos utilizados (modelo de motor/piezo, tipo de eletrocirurgia), parâmetros críticos (tempo total de ativação quando pertinente), intercorrências e condutas. Em CDIs, se houve qualquer evento suspeito (choque, tontura, palpitação relevante), oriente avaliação cardiológica e eventual interrogation do dispositivo.

Checklist rápido para implantes em portadores de DCEI

  • Antes: confirmar tipo de dispositivo + última avaliação; plano com piezo preferencial; avaliar necessidade real de eletrocirurgia.
  • Durante: cabos longe do tórax; placa de retorno na coxa; disparos curtos; comunicação constante com o paciente.
  • Depois: registrar tecnologias usadas e sintomas; alinhar sinais de alerta e canais de contato.

Quando adiar

  • Paciente sem acompanhamento recente do DCEI e/ou relato de choques ou síncopes nas últimas semanas.
  • Necessidade de diatermia (procure alternativa).
  • Procedimento extenso sem possibilidade de ambiente minimamente monitorado.

Conclusão

Implantodontia e DCEI podem conviver bem. O segredo está na seleção do equipamento (piezos preferenciais, eletrocirurgia bipolar quando indispensável), na organização do campo elétrico (cabos e placa de retorno bem posicionados) e em um roteiro simples de segurança. Com isso, você reduz a EMI a níveis práticos e mantém o foco no que interessa: um implante previsível e um paciente seguro.

Dica bônus: padronize esse protocolo na sua clínica. Checklists digitais, registro dos dispositivos dos pacientes e guias rápidos por procedimento evitam passos esquecidos e aumentam a confiança da equipe.

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