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Cor dental precisa: espectrofotometria, luz e comunicação clínica

Cor dental precisa: espectrofotometria, luz e comunicação clínica
Editora Sia

Acertar a cor de uma restauração ou coroa não é sorte: é processo. Mesmo clínicas experientes convivem com retrabalho por discrepâncias de tonalidade, opalescência e translucidez. A boa notícia é que a tecnologia já permite transformar um campo historicamente subjetivo em um fluxo reproduzível e mensurável. Neste guia prático, você verá como alinhar iluminação, espectrofotometria e comunicação com o laboratório para entregar estética previsível com menos provas e mais satisfação do paciente.

Por que a cor ainda falha na clínica?

Antes de falar em dispositivos, vale entender as armadilhas do dia a dia:

  • Luz inconsistente: variações de temperatura de cor (Kelvin) e índice de reprodução de cor (CRI) alteram a percepção. Luz amarelada ou “fria demais” muda o julgamento.
  • Metamerismo: dois materiais podem parecer iguais sob uma luz e diferentes em outra. Sem padronização, a prova em consultório não representa o que o paciente verá na rua ou no trabalho.
  • Limites do olho humano: fadiga visual, adaptação cromática e diferenças individuais pesam. A decisão “a olho” é instável.
  • Fotos sem referência: imagens bonitas não são necessariamente úteis se não trazem carta de cor, balanço de branco e polarização adequados.
  • Comunicação pobre com o laboratório: descrever cor apenas como “A2” reduz um problema tridimensional a um rótulo unidimensional.

Ferramentas que tornam a cor objetiva

Três pilares fazem a diferença imediata:

  • Iluminação padronizada: use fontes com CRI > 95 e temperatura de cor entre 5.500 e 6.500K (faixa D55–D65). Evite misturar luz natural com luz artificial. Um fundo neutro cinza 18% ajuda a estabilizar a percepção.
  • Espectrofotometria odontológica: dispositivos dedicados medem cor em coordenadas numéricas (como L*, a*, b*) e geram mapas de região cervical, médio e incisal. Alguns modelos ainda sugerem combinações de estratificação.
  • Fotografia clínica com referência: câmera (ou smartphone avançado) com cartão de cinza/cores, balanço de branco controlado e, quando possível, polarização cruzada para reduzir reflexos especulares e revelar cromas e manchas.

Fluxo clínico em 6 passos para cor previsível

  1. Prepare o ambiente: ajuste a luz do consultório para 5.500–6.500K, CRI alto, desligue fontes conflitantes e posicione um fundo cinza neutro. Peça ao paciente para remover batons e roupas muito coloridas perto da face. Dê 30 segundos de descanso visual olhando para o cinza antes da seleção.
  2. Faça fotos padrão: capture um conjunto mínimo: sorriso em repouso, close intraoral do dente alvo e do antagonista, e foto com a guia de cor ou cartão de referência no mesmo plano. Se disponível, use filtros polarizadores cruzados para remover brilhos e evidenciar matiz e croma.
  3. Meça com espectrofotômetro: realize 3 leituras em cervical, terço médio e incisal, reposicionando a ponta para evitar vieses. Registre valores numéricos e a sugestão de shade do dispositivo, mas mantenha o julgamento clínico.
  4. Mapeie translucidez e textura: além do tom global, descreva opalescência incisal, mamelões, halo e áreas hipocalcificadas. Uma foto com polarização paralela (sem o cruzamento total) ajuda a ler brilho e microtextura.
  5. Comunique dados ao laboratório: envie um pacote enxuto e completo: coordenadas L*a*b* por região, fotos polarizadas e não polarizadas, referência de iluminação usada, espessura estimada do material e preparo. Se usar estratificação, detalhe dentina, esmalte e efeitos.
  6. Cheque na prova sob a mesma luz: avalie a peça provisoriamente assentada com a mesma iluminação da seleção. Se disponível, compare leituras do espectrofotômetro sobre a restauração para estimar a diferença de cor. Busque diferenças dentro de limites aceitáveis (ΔE00 próximo de 1 é pouco perceptível; até ~1,8 costuma ser clinicamente aceitável).

Métricas que mostram se o fluxo funciona

O que não se mede, não melhora. Acompanhe indicadores simples:

  • Primeira prova aprovada (%): proporção de casos estéticos aprovados sem ajuste de cor.
  • Retrabalho por cor: quantas vezes a peça precisou retornar ao laboratório por ajuste cromático.
  • Tempo de cadeira: minutos do agendamento à aprovação final.
  • Satisfação estética do paciente: uma escala simples (0–10) colhida logo após a cimentação.

Com esse controle, é comum ver a primeira prova aprovada sair da casa de 60–70% para acima de 85%, reduzindo custos indiretos e liberando agenda.

Materiais e espessura importam

Mesmo com leitura perfeita, a interação material–espessura–substrato define o resultado. Zircônias multicamadas exigem atenção ao gradiente cervical–incisal; dissilicato de lítio fino (<1 mm) deixa o substrato falar mais alto; resinas compostas demandam controle de espessura de cada massa. Sempre que possível, informe ao laboratório a cor do preparo (ou do núcleo) e a espessura planejada de cada camada. Isso evita surpresas.

Como começar sem travar o fluxo

Não é necessário transformar a clínica de um dia para o outro. Três movimentos dão alto impacto com custo controlado:

  • Padronize a luz: troque as lâmpadas da área de seleção por um kit com CRI alto e temperatura de cor estável. Custa pouco e muda muito.
  • Inclua referência nas fotos: adote um cartão de cinza e defina um protocolo de 4 fotos por caso estético.
  • Adote espectrofotômetro em casos-chave: comece por unidades anteriores e reabilitações onde o remake custaria caro.

Checklist rápido para cada caso estético

  • Luz D55–D65, CRI > 95, fundo cinza 18%.
  • Descanso visual do operador por 30 segundos.
  • Fotos: sorriso, close, referência com guia/carta, polarizada e não polarizada.
  • Leituras L*a*b* em cervical/médio/incisal.
  • Mapa de translucidez, halo e manchas.
  • Pacote ao laboratório com dados e instruções de material/espessura.
  • Prova sob a mesma luz e checagem objetiva da diferença de cor.

Comunicação que o laboratório entende

Quanto mais objetivo e padronizado for o pacote de envio, mais previsível será o resultado. Combine um formulário padrão de cor com campos para valores numéricos, fotos e observações. Estabeleça um canal direto com o técnico para alinhar material, translucidez e texturas de superfície. A estética deixa de ser opinião e passa a ser um acordo baseado em dados.

Para ir além: crie uma pequena biblioteca de casos com condições de luz, materiais e resultados. Em poucos meses, você terá um repositório que acelera decisões futuras e serve de treinamento para novos membros da equipe.

No fim do dia, tecnologia não substitui o olhar clínico – ela o calibra. Com luz certa, medição objetiva e comunicação estruturada, sua clínica reduz remakes, ganha tempo e eleva a confiança do paciente no primeiro sorriso pós-cimentação.

Por que o Siodonto ajuda nessa jornada
Além de organizar o prontuário e o fluxo de fotos e documentos do caso, o Siodonto facilita o relacionamento com o paciente do planejamento à revisão. O chatbot embutido tira dúvidas, confirma etapas e mantém o paciente informado sem sobrecarregar a equipe. Já o funil de vendas transforma cada contato em oportunidade, acompanhando interessados em tratamentos estéticos e guiando-os até a cadeira – com previsibilidade. É tecnologia a favor da clínica: menos ruído, mais aprovação na primeira prova e uma agenda que gira com segurança.

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