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Termografia clínica em odontologia: decisões rápidas sem radiação

Termografia clínica em odontologia: decisões rápidas sem radiação
Editora Sia

A cada ano, a tecnologia amplia o alcance clínico do dentista. Entre as novidades úteis na prática diária, a termografia infravermelha se destaca por oferecer um mapa de calor da face e da cavidade oral, revelando padrões de inflamação e perfis musculares sem contato e sem radiação. Quando aplicada com critério, ela pode encurtar o caminho entre a queixa do paciente e a decisão clínica, além de melhorar a comunicação durante o atendimento.

O que é termografia e por que interessa ao dentista

A termografia captura a radiação infravermelha emitida pela pele e a converte em uma imagem em cores falsas, onde diferenças sutis de temperatura se tornam visíveis. Em odontologia, áreas inflamadas tendem a apresentar aumento de temperatura por maior fluxo sanguíneo local. Essa sensibilidade a mudanças fisiológicas faz da termografia um exame complementar valioso em situações em que sinais clínicos e radiográficos ainda não são conclusivos.

Como não envolve radiação ionizante, a termografia pode ser repetida no mesmo atendimento ou ao longo do seguimento, servindo como referência objetiva para o paciente e para a equipe.

Onde a termografia ajuda na prática

  • Endodontia: em episódios agudos, “pontos quentes” na região vestibular podem orientar a suspeita do dente causal quando exames convencionais são pouco específicos. Útil também na comparação pré e pós-tratamento.
  • Periodontia e peri-implantar: monitoramento de inflamação superficial e acompanhamento de resposta a raspagens ou ajustes de higiene. Em peri-implantite, assimetrias térmicas podem sinalizar atividade inflamatória.
  • Dor orofacial e DTM: avaliação de assimetria térmica em masseter e temporal, correlação com queixa dolorosa e sobrecarga muscular; acompanhamento de terapias com placas, fisioterapia e ajustes oclusais.
  • Pós-operatório: documentação de evolução térmica após exodontias, cirurgias periodontais e implantes; alarmes precoces de inflamação exacerbada ajudam a intervir mais cedo.
  • Lesões de mucosa: acompanhamento de processo reparador e vigilância de áreas irritativas. A termografia não diagnostica lesões potencialmente malignas, mas pode complementar o seguimento inflamatório.

Importante: a termografia não substitui exames radiográficos, clínicos ou laboratoriais. Ela soma informação fisiológica, orienta hipóteses e melhora a precisão do reexame.

Como capturar imagens térmicas com critério

  1. Preparação do paciente
    • Evitar exercícios, bebidas quentes/frias e fumo por pelo menos 2 horas.
    • Remover maquiagem, cremes e pomadas na região a ser avaliada.
    • Afastar cabelo e barba da área de interesse sempre que possível.
    • Aclimatação: aguardar 10–15 minutos em sala a 22–24 °C, sem correntes de ar.
  2. Ambiente e equipamento
    • Câmera com sensibilidade térmica (NETD) ≤ 50 mK e resolução mínima de 320×240.
    • Tripé e enquadramento padronizado (frontal e perfis, distância de 0,5–1 m).
    • Referência de calibração (corpo negro) quando disponível.
    • Evitar incidência direta de luz solar, ar-condicionado direcionado e superfícies refletivas.
  3. Protocolo de aquisição
    • Série de imagens: repouso com boca fechada, sorriso leve (exposição do vestíbulo) e abertura suave.
    • Registrar a escala térmica e manter a mesma paleta de cores entre sessões.
    • Anotar temperatura ambiente e tempo de aclimatação no registro.
  4. Privacidade e consentimento
    • Explique a finalidade do exame e obtenha o consentimento informado.
    • Imagens térmicas do rosto são dados pessoais; trate-as conforme a legislação aplicável e políticas da clínica.

Interpretando os mapas de calor

O olhar clínico deve privilegiar assimetrias e mudanças ao longo do tempo, mais do que valores absolutos. Um delta térmico de 0,3–0,5 °C entre lados simétricos pode ser relevante em contexto de dor localizada. Em músculos mastigatórios, faixas lineares mais quentes costumam refletir hiperatividade. Na região periapical, hotspots pontuais correlacionados à queixa e à sensibilidade à percussão elevam a suspeita.

Use a termografia para comparar sessões: antes/depois de uma intervenção, ou ao longo do pós-operatório. Padronize a escala e a distância para garantir reprodutibilidade.

Erros comuns e como evitar

  • Ambiente instável: corrente de ar e diferenças de iluminação distorcem o mapa térmico.
  • Distância/ângulo variáveis: comparações ficam inválidas; fotografe sempre do mesmo ponto.
  • Pele úmida ou cosméticos: alteram emissividade; limpe a área e aguarde estabilização.
  • Barba e cabelo: isolam calor; afaste ou registre a limitação.
  • Condições sistêmicas (febre, sinusite, crises de enxaqueca): podem elevar a temperatura regional; leve em conta na interpretação.
  • Dor neuropática: pode não ter expressão térmica evidente; integre outros testes.

Fluxo de trabalho e integração

Comece em casos-piloto: dor orofacial inespecífica, DTM e acompanhamento de cirurgias. Defina um checklist para a equipe e um modelo de relatório com imagens e notas clínicas. O tempo adicional por exame cai rapidamente após as primeiras semanas, e o ganho vem em decisões mais ágeis e comunicação visual com o paciente, que entende melhor a conduta proposta.

Os equipamentos variam de preço, mas o investimento vem sendo reduzido com a popularização das câmeras. A documentação objetiva também agrega valor em auditorias clínicas, segunda opinião e ensino interno.

Exemplo clínico resumido

Paciente chega com dor difusa no quadrante superior esquerdo, sem achados claros à percussão e radiografia inicial pouco elucidativa. Após aclimatação, a termografia mostra um hotspot vestibular acima do 26, ausente no lado contralateral. Repetem-se testes térmicos e de sensibilidade, agora focados, reforçando a suspeita. A conduta é definida com mais segurança. No controle de 7 dias, a termografia exibe redução térmica local, alinhada à melhora relatada pelo paciente.

Checklist rápido para começar

  • Escolha uma câmera com boa sensibilidade e defina um kit simples (tripé, marcador de posição, protocolo de sala).
  • Padronize aquisição, escala e paleta de cores; salve modelos de enquadramento.
  • Treine a equipe e defina critérios de interpretação contralateral.
  • Inclua as imagens no registro clínico e programe revisões seriadas quando fizer sentido.
  • Monitore indicadores: tempo até o diagnóstico, adesão do paciente ao tratamento, evolução térmica no pós-operatório.

No ritmo em que a odontologia se digitaliza, a termografia é uma ferramenta pragmática: barata de operar, repetível e orientada a decisão. Bem aplicada, ela encurta caminhos e dá mais clareza ao cuidado.

Para organizar essa evolução, vale contar com um software odontológico que acompanhe sua visão clínica. O Siodonto ajuda a estruturar protocolos, documentar atendimentos e manter a equipe na mesma página. E mais: com chatbot para responder rápido e um funil de vendas que cuida dos retornos e conversões, sua clínica fica ágil desde o primeiro contato até o pós-tratamento. É tecnologia que descomplica o dia a dia e transforma boas ideias em rotina de atendimento.

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