Blog Siodonto
LGPD 7 min de leitura

Tecnovigilância na odontologia: rastreie riscos e aja sem atraso

Tecnovigilância na odontologia: rastreie riscos e aja sem atraso
Editora Sia

Quando um material falha ou um dispositivo apresenta comportamento inesperado, poucos minutos definem a diferença entre segurança e dor de cabeça. A tecnovigilância leva para a odontologia uma disciplina já consolidada na saúde: monitorar, analisar e agir diante de eventos adversos envolvendo produtos para saúde, de forma sistemática e documentada. O resultado é clínico e jurídico: mais previsibilidade, pacientes protegidos e decisões com lastro em dados.

O que entra no radar da tecnovigilância odontológica

Em consultórios e clínicas odontológicas, tecnovigilância não é só sobre grandes equipamentos. O foco inclui:

  • Dispositivos e materiais: implantes, adesivos, cimentos, resinas, anestésicos, brocas, componentes protéticos.
  • Consumíveis críticos: soluções irrigantes, materiais hemostáticos, barreiras e membranas.
  • Dispositivos auxiliares: tubos, seringa tríplice e conexões que, se defeituosos, impactam segurança do paciente e do time.

A regra prática: se um item pode influenciar desfecho clínico, biossegurança ou conforto do paciente, ele merece rastreabilidade e monitoramento.

Como implantar um ciclo de tecnovigilância na clínica

  1. Cadastre o acervo com dados mínimos úteis

    Crie um registro mestre por produto com: nome comercial, fabricante/fornecedor, referência, lote, validade, instruções de uso (link ou PDF) e contatos de suporte. Sempre que possível, habilite captura por código de barras/QR para evitar digitação manual.

  2. Faça a rastreabilidade ao paciente no momento do uso

    Ao utilizar um implante, adesivo ou irrigante, registre o código do lote vinculado ao procedimento e ao dente/região. A forma mais prática é escanear a etiqueta diretamente no prontuário e anexar foto da embalagem após abertura. Cinco segundos que valem ouro se houver recall.

  3. Padronize o registro de incidentes e quase-incidentes

    Nem todo problema vira dano, e é aqui que a tecnovigilância brilha. Estruture um formulário simples, com campos obrigatórios para: produto/lote, evento (ex.: fratura de broca, falha de presa, sangramento inesperado), gravidade, ação imediata, evidências (fotos/vídeo), local/data e envolvidos. Classifique near miss (erro interceptado) e evento adverso para analisar frequência e tendência.

  4. Detecte sinais e estabeleça gatilhos de ação

    Monitore taxas por 100 usos e crie alertas automáticos quando um produto ultrapassar limites definidos (ex.: duas falhas de presa no mesmo lote em uma semana). Relatórios por fornecedor, lote e tipo de evento ajudam a separar ruído de sinal.

  5. Orquestre a resposta em minutos

    Ao confirmar um sinal, ative um plano de contingência: bloqueie o lote no sistema, cheque estoque e prontuários com uso daquele lote, notifique a equipe e alinhe condutas para pacientes potencialmente afetados (avaliação, reforço de orientação, ajustes). Documente contato com o fornecedor e, quando aplicável, avalie comunicação com autoridades competentes.

  6. Feche o ciclo com aprendizado

    Após cada evento relevante, realize uma revisão rápida: o protocolo foi seguido? O treinamento está claro? O fornecedor respondeu? Capture melhorias e transforme-as em checklists objetivos. A meta: reduzir reincidência e tempo de resposta.

Indicadores que importam para a direção clínica

  • Tempo de detecção: da ocorrência ao alerta.
  • % de rastreabilidade: procedimentos com lote registrado.
  • Taxa de eventos por 100 usos: por produto e por lote.
  • Tempo até bloqueio de lote: da confirmação ao bloqueio no sistema.
  • Tempo até contato com pacientes: quando necessário.
  • Reincidência: eventos repetidos após ação corretiva.

Esses números guiam decisões de compra, renegociação com fornecedores e ajustes de protocolo, além de demonstrar diligência em auditorias e perícias.

LGPD e segurança da informação: o que não pode faltar

Tecnovigilância lida com dados sensíveis. Respeitar a LGPD é condição para o programa funcionar sem riscos adicionais:

  • Minimização: colete apenas o necessário para investigar o evento.
  • Base legal adequada: em geral, tutela da saúde e execução de contrato.
  • Governança de acesso: perfis de usuário e trilhas de auditoria.
  • Armazenamento seguro: criptografia em repouso e em trânsito.
  • Retenção e descarte: políticas claras alinhadas a prazos regulatórios e assistenciais.

Transparência com o paciente fortalece confiança: informe, de forma objetiva, quando um acompanhamento adicional se fizer necessário e por quê.

Ferramentas práticas que aceleram o programa

  • Etiquetas e QR codes para capturar lote no ato do procedimento.
  • Formulários inteligentes integrados ao prontuário, com campos obrigatórios e anexos multimídia.
  • Dashboards com filtros por produto, lote, fornecedor e período.
  • Automação de alertas via e-mail/WhatsApp interno ao atingir gatilhos.
  • Workflows de recall que geram listas de pacientes a contatar e roteiros de comunicação.

Comece pequeno, avance rápido

Você não precisa mapear o universo em um dia. Escolha uma família de produtos crítica (ex.: adesivos e cimentos), habilite rastreabilidade por lote e um formulário de incidentes, rode por 30 dias e analise. Em seguida, expanda para implantes e irrigantes. O ganho de maturidade vem em camadas, e cada etapa já reduz risco.

Exemplo realista de fluxo de recall interno

  1. Sinal: duas falhas de presa com o mesmo lote em três dias.
  2. Confirmação: revisão dos registros e fotos; lote identificado.
  3. Bloqueio: sistema impede novos usos do lote.
  4. Listagem: painel aponta cinco pacientes atendidos com o lote.
  5. Contato: equipe orienta avaliação preventiva; roteiro padronizado.
  6. Fornecedor: abertura de chamado; envio de evidências.
  7. Revisão: ajuste de protocolo e comunicação interna.

No fim, a clínica demonstra diligência, preserva o desfecho clínico e reduz exposição jurídica.

Por que isso muda sua prática

Tecnovigilância bem-implementada tira a clínica do modo reativo. Você passa a decidir com base em tendências reais, protege pacientes de forma proativa e ainda cria um acervo de melhoria contínua que qualifica compras, treinamento e comunicação.

Siodonto na linha de frente: ao centralizar o prontuário e a gestão, o Siodonto viabiliza rastreabilidade de lotes diretamente no atendimento, anexa evidências com um toque e dispara alertas quando um produto cruza limites de segurança. Em um eventual recall, o sistema gera a lista de pacientes e agenda revisões sem fricção. E para transformar controle em relacionamento, o chatbot integrado e o funil de vendas ajudam a convocar pacientes com empatia, organizar retornos e converter atendimentos adicionais quando pertinentes. É a junção rara de segurança clínica, eficiência operacional e crescimento sustentável — tudo em um só software odontológico.

Você também pode gostar