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Realidade virtual na odontologia: menos ansiedade, mais precisão clínica

Realidade virtual na odontologia: menos ansiedade, mais precisão clínica
Editora Sia

Transformar minutos de tensão em uma experiência tranquila é um dos maiores ganhos que a tecnologia pode oferecer à odontologia. A realidade virtual (RV) amadureceu, ficou acessível e, aplicada com critério, ajuda a reduzir ansiedade e dor, melhora a cooperação e torna o atendimento mais previsível. Diferente dos óculos inteligentes de uso profissional, a RV foca no paciente: bloqueia estímulos visuais e redireciona a atenção com conteúdos imersivos, criando um cenário mais favorável para o procedimento e para a tomada de decisão clínica.

Por que pensar em RV no consultório?

  • Menos ansiedade, mais colaboração: a imersão visual e sonora reduz a percepção de ameaça, favorecendo relaxamento e aceitação do procedimento.
  • Percepção de dor atenuada: a distração imersiva compete com o processamento da dor, reduzindo escores em escalas como NRS/VAS.
  • Fluxo mais previsível: pacientes mais calmos tendem a movimentar menos, facilitando isolamento, moldagem digital, anestesia e execução de etapas críticas.
  • Experiência que fideliza: oferecer conforto tecnológico diferencia a clínica e reforça confiança para o retorno e o encaminhamento.

Não se trata de substituir anestesia, protocolos de comunicação ou controle de biossegurança. A RV soma-se a eles como ferramenta comportamental segura e escalável.

Como funciona na prática

O uso clínico é simples, desde que exista um protocolo claro. Pense em quatro frentes: seleção, preparo, aplicação e registro.

  1. Seleção do paciente: inclua duas perguntas rápidas na anamnese: histórico de enjoo em veículos/VR e desconforto com espaços fechados. Em casos de epilepsia fotossensível, prefira não usar.
  2. Preparo do conteúdo: opte por ambientes calmos (praias, florestas, aquários) com áudio suave. Se a sessão for longa, programe capítulos de 10–15 minutos para pausas técnicas.
  3. Higiene e segurança: utilize capas descartáveis para a espuma do headset, desinfecção entre pacientes e ajuste leve das tiras. Verifique se o equipamento é stand-alone (sem cabos) para evitar interferências.
  4. Aplicação guiada: antes de iniciar, explique uma “palavra de pausa” para o paciente. Faça um teste de 60–90 segundos e ajuste foco e volume. Inicie o procedimento com o áudio já em reprodução, evitando transições bruscas.
  5. Registro e avaliação: meça ansiedade e dor com escala numérica (0–10) antes e após. Anote tempo de cadeira e interrupções. Esses dados orientam ajustes finos do protocolo.

Para o time, a curva de aprendizado é curta. Em duas ou três sessões a equipe domina ajustes e rotina de assepsia do dispositivo.

Onde a RV ajuda mais

  • Profilaxia e raspagem: redução de reflexos de defesa e tensão muscular, facilitando visibilidade e acesso.
  • Anestesia local: início da imersão durante antissepsia e aplicação reduz percepção do momento de picada.
  • Endodontia e restaurações extensas: sessões longas tornam-se mais toleráveis, com menos interrupções.
  • Cirurgias menores: em seleções criteriosas, melhora a cooperação sem substituir analgesia ou sedação quando indicadas.
  • Pacientes com medo de consultório: a primeira experiência positiva quebra o ciclo de evitação e facilita o plano de tratamento.

Limites e contraindicações

  • Cinetose e tontura: prefira conteúdos estáticos (câmera fixa) e campo de visão moderado. Interrompa ao primeiro sinal de náusea.
  • Claustrofobia: teste breve sem fechar totalmente as tiras. Se o desconforto persistir, não insista.
  • Epilepsia fotossensível: evite.
  • Crianças pequenas: adapte tempo e escolha conteúdos muito simples; observe mais de perto.

É fundamental manter comunicação verbal com o paciente. Mesmo imerso, ele precisa ouvir suas instruções e sentir-se no controle.

Medir para melhorar: indicadores simples

Resultados robustos nascem de métricas claras. Três indicadores cabem em qualquer rotina:

  • Ansiedade pré e pós (0–10): acompanha o impacto percebido da RV.
  • Dor pós (0–10): permite ajustar conteúdo e tempo de imersão por tipo de procedimento.
  • Interrupções por desconforto: sinaliza adequação do protocolo e do headset.

Para equipes que usam dispositivos de pulso (frequência cardíaca), registre a média durante o procedimento. A tendência de queda costuma correlacionar com maior tranquilidade e menos necessidade de pausas.

Custos, manutenção e higiene

Headsets stand-alone atuais têm custo acessível e não exigem computador. Prefira modelos com:

  • Capas removíveis ou espuma lavável para facilitar desinfecção.
  • Controle de volume físico para ajustes rápidos durante o procedimento.
  • Modo offline com conteúdos pré-carregados, evitando dependência de rede.

A manutenção inclui atualização de software, checagem de bateria e inspeção das correias. Capacite um membro da equipe como “guardião do kit” para garantir que tudo esteja pronto no início do dia.

Estratégias para adesão do paciente

  • Explique o porquê: diga que a RV ajuda a relaxar e tornar a sessão mais confortável.
  • Use uma sessão demonstrativa curta: 30 segundos bastam para reduzir resistência.
  • Ofereça escolha: dois ou três ambientes favoritos aumentam a sensação de controle.

Quando a decisão clínica exige comunicação visual (por exemplo, mostrar uma radiografia), interrompa a RV, explique e retome o conteúdo. Transparência e conforto caminham juntos.

Próximos passos: personalização e biofeedback

O futuro aponta para sessões que se adaptam ao paciente em tempo real, usando sinais simples como respiração e frequência cardíaca para ajustar música, ritmo e cenário. Conteúdos mais curtos e responsivos, combinados a protocolos de respiração guiada, prometem reduzir ainda mais ansiedade e tempo de cadeira.

No fim, a tecnologia que fica é a que simplifica. A RV não é um show à parte: é uma ferramenta a serviço de um atendimento mais humano, previsível e eficiente.

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