PROMs e PREMs na odontologia: dados do paciente que guiam a clínica
Medir o que realmente importa ao paciente muda a prática. Além de radiografias, fotos e notas clínicas, a odontologia ganha precisão quando incorpora de forma sistemática os relatos do próprio paciente sobre dor, função, estética e bem-estar. É aqui que entram os PROMs (patient-reported outcome measures) e os PREMs (patient-reported experience measures): questionários simples, digitais e repetíveis que revelam se o tratamento está caminhando na direção certa e como a experiência de cuidado pode ser melhor.
Por que ouvir o paciente muda a clínica
Radiografias e sondagens periodontais descrevem estruturas e sinais. PROMs e PREMs descrevem impacto na vida real. Ao quantificar dor, mastigação, fala, sono ou satisfação com a comunicação, você consegue:
- Antecipar desvios antes que virem retrabalho ou insatisfação.
- Ajustar condutas com base em metas objetivas combinadas com o paciente.
- Comparar protocolos e padronizar o que dá certo na sua clínica.
- Engajar o paciente com transparência e corresponsabilidade.
PROMs vs PREMs: o que medir e quando
PROMs capturam desfechos relatados: dor (0–10), capacidade de mastigar, sensibilidade térmica, autoestima com o sorriso, qualidade do sono, limitação funcional após cirurgia. PREMs registram a experiência: clareza de explicações, tempo de espera percebido, conforto na cadeira, facilidade de contato e retorno.
Uma rotina prática pode incluir:
- Baseline: antes do tratamento, para referência.
- Curto prazo: 24–72 horas após procedimentos invasivos.
- Médio prazo: 7–14 dias, para adaptação e cicatrização inicial.
- Longo prazo: 30–90 dias, para consolidar benefício funcional/estético.
- Follow-ups de manutenção: conforme sua especialidade (por exemplo, trimestral em periodontia).
Instrumentos práticos para a odontologia
Você não precisa reinventar a roda. Combine escalas curtas e validadas com perguntas específicas do seu serviço:
- Dor: escala numérica (0–10) e interferência na rotina (0–10).
- Função oral: itens como “mastigar alimentos duros” e “falar sem esforço” em escala Likert (0–4).
- Estética: satisfação com cor, forma e alinhamento (0–10) e confiança ao sorrir (0–10).
- Qualidade de vida oral: questionários curtos baseados em domínios (sintomas, função, psicossocial).
- Experiência: comunicação da equipe, tempo percebido, conforto ambiental, facilidade de contato (simples e diretas).
Mantenha os questionários com 5 a 10 itens, linguagem simples e tempo de resposta inferior a dois minutos. Isso aumenta adesão e qualidade do dado.
Como integrar à rotina digital da clínica
Colha PROMs e PREMs sem fricção e conecte-os ao prontuário:
- Envio automático de links por SMS/WhatsApp antes da consulta e em janelas-alvo (por exemplo, 48 horas após cirurgia).
- Tablets na recepção para baseline e check-ups rápidos.
- Associação direta ao plano de tratamento: cada fase tem seu conjunto de perguntas e metas.
- Alertas quando um escore ultrapassa limite definido (ex.: dor ≥ 7 dispara reavaliação).
- Dashboards simples: evolução por paciente, por procedimento e por dentista.
Treine a equipe para que a coleta seja parte do fluxo: recepção orienta, ASB/TSB confere pendências, dentista discute resultados e define próximos passos com o paciente.
Da métrica à conduta: exemplos objetivos
- Endodontia: dor 48h pós-operatória acima do esperado? Revisar oclusão, analgesia e instruções; mensagem proativa reduz retornos não agendados.
- Periodontia: função mastigatória melhora, mas sangramento residual incomoda? Ajustar intervalo de manutenção e reforçar instruções personalizadas.
- Reabilitação estética: satisfação com o sorriso alta, porém queixa de fonética ao “s” e “f”? Microajustes oclusais e orientação funcional direcionada.
- Cirurgia: limitação funcional > 3 dias? Reavaliar edema, analgesia e possíveis fatores de risco; agendar retorno curto orientado por dado.
Defina metas claras: por exemplo, “redução de dor ≥ 50% em 72 horas” ou “satisfação estética ≥ 8/10 em 30 dias”. Elas guiam discussões objetivas e facilitam decisões compartilhadas.
Evite armadilhas e garanta qualidade
- Consistência: use sempre a mesma escala para comparar evolução.
- Contexto: interprete valores com o quadro clínico; não trate número isolado.
- Viés de resposta: mantenha questionários curtos e horários adequados; evite coletar em momentos de dor intensa sem suporte.
- Privacidade: explique objetivo, peça consentimento e proteja dados conforme a lei vigente.
- Transparência: compartilhe a evolução com o paciente; isso fortalece vínculo e adesão.
Comece pequeno e ganhe tração
- Escolha dois processos-chave (ex.: endodontia e estética) e defina 5 perguntas para cada.
- Programe envios automáticos para baseline, 48h e 14 dias.
- Crie alertas com pontos de corte simples (dor ≥ 7; satisfação ≤ 6).
- Reúna a equipe quinzenalmente por 20 minutos para revisar gráficos e ajustar protocolos.
- Escalone para demais áreas quando o fluxo estiver estável.
O resultado esperado? Menos surpresas, mais previsibilidade e pacientes que percebem valor real no cuidado recebido.
Para fechar: PROMs e PREMs não substituem exame clínico nem exames complementares; eles os potencializam. São a tradução do impacto do seu trabalho na vida do paciente e um motor contínuo de melhoria.
Siodonto na prática: para transformar tudo isso em rotina, vale contar com um software odontológico que una prontuário, automações e relacionamento. O Siodonto permite enviar questionários digitais no timing certo, registrar respostas diretamente no atendimento e acionar lembretes sem esforço. E, quando o assunto é acolhimento e crescimento, o Siodonto oferece chatbot e funil de vendas integrados: o chatbot tira dúvidas rápidas, captura dados e conduz o paciente ao agendamento; o funil organiza etapas do contato ao fechamento, mantendo sua equipe focada no que importa. Em outras palavras, você coleta sinais clínicos relevantes, melhora a experiência e ainda impulsiona conversões — com uma plataforma que fala a língua da sua clínica.