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Implantodontia 6 min de leitura

Implantes na mandíbula com neuromonitoramento: proteja o NAI em tempo real

Implantes na mandíbula com neuromonitoramento: proteja o NAI em tempo real
Editora Sia

Lesão do nervo alveolar inferior (NAI) ainda é uma das preocupações mais relevantes na implantodontia mandibular. Parestesia, dor neuropática e impacto funcional podem ocorrer mesmo com bom planejamento. A boa notícia é que já é possível adicionar uma camada ativa de segurança: o neuromonitoramento intraoperatório do NAI, que traz informação ao vivo para orientar cada milímetro do procedimento.

Por que monitorar o NAI durante a cirurgia?

A tomografia de feixe cônico e o planejamento virtual definem a estratégia, mas a execução depende da realidade anatômica daquele paciente. Variações de trajeto, espessura cortical e densidade óssea podem surpreender. O neuromonitoramento adiciona um feedback fisiológico imediato: se a instrumentação se aproxima do feixe neurovascular, o sistema “avisa” por resposta muscular evocado, possibilitando ajustar trajetória, profundidade ou diâmetro antes que haja dano.

Como funciona o neuromonitoramento na implantodontia

Os sistemas clínicos combinam dois elementos principais:

  • Captação eletromiográfica (EMG): eletrodos adesivos de superfície, geralmente posicionados em músculos inervados pelo nervo mentual (ramo terminal do NAI), como o mentalis e região do lábio inferior.
  • Estimulação/alerta: a instrumentação (broca, sonda ou probe específico) entrega estímulos de baixa intensidade; o retorno EMG é captado e traduzido em áudio e visual na tela do monitor. Aumento de amplitude ou redução de limiar sinaliza proximidade do nervo.

O cirurgião acompanha em tempo real latência e amplitude do sinal. Mudanças bruscas orientam recuo, redirecionamento ou troca de protocolo de perfuração.

Quando vale a pena usar

  • Mandíbulas atróficas, com pouca altura óssea e margem de segurança reduzida.
  • Regiões posteriores, próximas ao canal mandibular, especialmente entre 36–37 e 46–47.
  • Reabilitações imediatas, quando tempo e previsibilidade são críticos.
  • Reentradas cirúrgicas após perdas, onde a anatomia pode estar alterada.

Protocolo prático de implementação

  1. Preparação e calibração: revise o planejamento 3D e identifique a zona de risco. Posicione e teste os eletrodos de superfície (lábio inferior/mento). Realize uma estimulação basal para registrar a resposta de referência.
  2. Mapeamento antes da osteotomia: com uma sonda estimuladora, percorra o leito planejado superficial. Observe o limiar de resposta para entender a “distância funcional” ao nervo.
  3. Perfuração com vigilância contínua: inicie a sequência de brocas. A cada incremento, monitore latência/amplitude. Se o sistema emitir alerta de proximidade (limiar baixo), interrompa e reavalie a direção.
  4. Decisão adaptativa: diante de alerta persistente, considere modificar angulação, reduzir comprimento/diâmetro do implante ou optar por um sítio alternativo.
  5. Implante e checagem final: após inserção, repita a estimulação de verificação. Registre os parâmetros e a ausência de sinais de irritação neural.

Interpretando o que importa

  • Limiar de estimulação: quanto menor a corrente necessária para gerar resposta EMG, mais perto do nervo você está. Aumentos progressivos de limiar indicam afastamento seguro.
  • Amplitude: picos altos em resposta a estímulos suaves apontam proximidade crítica; mantenha-se conservador.
  • Latência: alterações súbitas podem indicar contato ou compressão. Pare, irrigue, alivie e reavalie.

O objetivo não é operar “pelo monitor”, mas usar o dado fisiológico como guardrail quando a anatomia desafia a margem de segurança definida no planejamento.

Vantagens clínicas tangíveis

  • Menos parestesias: identificar a aproximação do NAI antes do contato reduz o risco de lesão.
  • Maior previsibilidade: em casos-limite, o neuromonitoramento permite decidir com confiança sem abrir mão da estabilidade primária.
  • Documentação objetiva: registros de limiares e gráficos EMG compõem uma narrativa técnica sólida do procedimento.
  • Comunicação com o paciente: demonstrar o cuidado adicional melhora adesão e satisfação.

Limitações e cuidados

  • Aprendizado: interpretar sinais exige curva de familiarização. Treine em casos simples antes de indicações críticas.
  • Ambiente elétrico: minimize interferências (cabos bem posicionados, aterramento adequado, afastar equipamentos ruidosos).
  • Contato e posicionamento de eletrodos: pele seca, adesão firme e colocação anatômica correta são determinantes para sinais limpos.
  • Não substitui o planejamento: CBCT, guias e critérios biomecânicos seguem como base. O monitoramento é uma camada extra de segurança.

Integração ao fluxo da sua clínica

Na prática, a adoção começa com um kit de neuromonitoramento e um protocolo padrão: check-list de eletrodos, calibração, marcos de estimulação por etapa e um modelo de relatório cirúrgico com limiares e condutas tomadas. Padronize a coleta dos dados, fotografe a posição dos eletrodos e anexe os gráficos gerados pelo sistema. Essa disciplina torna a ferramenta cumulativa: ao longo dos casos, você refina seus próprios “marcos de segurança” por região, densidade óssea e tipo de implante.

Comece pequeno, colha rápido

Selecione três casos em que a proximidade do NAI é uma preocupação real. Aplique o protocolo, compare o tempo operatório e os desfechos neurossensoriais no pós-operatório. A tendência é clara: com alguns ciclos, a equipe ganha fluidez, as decisões ficam mais objetivas e o risco de complicações cai. O investimento se paga em previsibilidade clínica, confiança do paciente e redução de retrabalhos.

Para fechar: o neuromonitoramento do NAI traz o que faltava entre o planejamento e a execução — um dado fisiológico em tempo real. Para a implantodontia moderna, é a diferença entre operar “no limite” e operar “com limite”.

Na hora de transformar essa precisão em rotina, ter um software que acompanha você faz diferença. Com o Siodonto, você registra parâmetros de neuromonitoramento, anexa gráficos ao prontuário e padroniza relatórios com poucos cliques. O atendimento também flui: o chatbot integrado responde dúvidas pré e pós-operatórias, enquanto o funil de vendas organiza desde a primeira consulta de implantes até a conversão do plano proposto. É tecnologia que conecta a sala cirúrgica ao relacionamento com o paciente — e isso se traduz em segurança clínica e crescimento sustentável.

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