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Escâner intraoral confiável: calibração e qualidade na rotina

Escâner intraoral confiável: calibração e qualidade na rotina
Editora Sia

O escâner intraoral deixou de ser promessa para se tornar instrumento central da prática clínica. Porém, assim como qualquer dispositivo óptico e computacional, seu desempenho varia com uso, ambiente e atualização de software. Sem um programa de calibração e controle de qualidade, pequenos desvios somam-se até virar ajustes demorados, contatos prematuros ou próteses que não assentam. A boa notícia: com uma rotina objetiva, é possível manter a confiabilidade do escaneamento e colher previsibilidade no atendimento.

Confiabilidade em números: o que monitorar

Dois conceitos guiam a qualidade do escaneamento: exatidão (trueness), que expressa o quão próximo o modelo digital está da referência real, e precisão (precision), que mede a repetibilidade de resultados. Em clínica, isso se traduz em margem que assenta, contatos equilibrados e oclusão coerente com o exame físico. Para restaurações unitárias, desvios médios abaixo de 50–80 µm tendem a ser clinicamente aceitáveis; para arcadas completas, a tolerância é maior, mas a consistência entre capturas torna-se crítica.

Calibração: quando e como

A calibração usa um artefato padrão para ajustar o sistema óptico. Siga o manual do fabricante, mas adote uma regra prática:

  • Na instalação: calibração inicial e registro do ambiente (temperatura/umidade).
  • Periodicidade: semanal no início da curva de aprendizado; depois, quinzenal ou mensal, conforme estabilidade demonstrada.
  • Eventos gatilho: quedas, troca de ponta, atualização de firmware/software, transporte do equipamento, variações de temperatura relevantes.
  • Preparação: aquecimento do equipamento, limpeza das janelas ópticas, verificação da integridade da ponta e uso correto de capas/luvas descartáveis quando indicado.

Documente cada calibração com data, responsável e observações. Essa rastreabilidade acelera o diagnóstico quando algo foge do esperado.

Verificação objetiva: do mapa de desvios à decisão

Calibrar não basta. É essencial verificar o desempenho em um objeto de referência. Uma rotina viável combina:

  1. Modelo mestre: use um bloco ou arco padrão com dimensões certificadas. Muitos laboratórios oferecem modelos com malha (STL) de referência.
  2. Captura padronizada: mesmo operador, sequência fixa (oclusal → vestibular → lingual/palatina), controle de brilho/saliva e marcações de início/fim.
  3. Comparação: alinhe o escaneamento ao STL de referência em software de metrologia e avalie o heatmap de desvios. Registre média, desvio-padrão e percentil 95%.
  4. Critérios de aceitação: defina limites (ex.: média ≤ 60 µm e P95 ≤ 120 µm para unitários; valores mais amplos para arcadas completas). Acima do limite, reforce calibração, revise protocolo de escaneamento e, se persistir, acione suporte técnico.

Repita essa verificação semanalmente no início e, após estabilidade, mensalmente ou a cada atualização relevante.

Checklist por frequência

  • Diariamente
    • Inspecionar ponta e janelas ópticas; limpar conforme orientação.
    • Verificar ajuste do brilho e exposição; evitar reflexos excessivos.
    • Testar a captura oclusal rápida em um bite-block para checar pareamento.
    • Garantir ambiente estável: iluminação adequada e temperatura controlada.
  • Semanalmente
    • Executar calibração e verificação com modelo mestre.
    • Revisar o protocolo de escaneamento com a equipe (sequência e velocidade).
    • Conferir integridade de cabos, conectores e bases de acoplamento.
  • Mensalmente
    • Rodar um teste de fluxo completo: da captura ao CAD/CAM, avaliando adaptação marginal em um modelo de treino (silicone fit test ou análise digital).
    • Atualizar software/firmware em janela de manutenção e repetir verificação.
    • Checar o contador de uso da ponta e planejar substituição preventiva.

Protocolo de escaneamento: pessoas e processo

Boa parte dos desvios vem do fator humano. Padronize:

  • Sequência fixa: comece por oclusal, complemente vestibular e finalize lingual/palatina. Em edentulismo, use marcas, roletes de algodão ou referências adesivas para reduzir erros de alinhamento.
  • Distância e ângulo: mantenha o bico na faixa ideal de foco, evitando movimentos bruscos e afastamentos longos que gerem “saltos”.
  • Controle de fluidos: isolamento relativo, sugador eficiente e secagem pontual. Saliva e brilho confundem o algoritmo.
  • Retratores e espelhos: melhoram acesso e reduzem sombras; registre superfícies interproximais com movimentos curtos e planejados.
  • Oclusão: capture em RC/MI estável; confira o pareamento dos arcos e, ao menor indício de desalinhamento, refaça a etapa antes de prosseguir.

Treinamento contínuo, com revisão de casos e mapas de desvio, cria memória de procedimento e reduz variabilidade entre operadores.

Dados que fluem: formatos, nomes e integrações

O melhor escaneamento perde valor se os dados se perdem no caminho. Adote práticas simples:

  • Formatos: exporte STL para geometria; use PLY/OBJ quando a cor/ textura for relevante (mapeamento de margem gengival, pigmentos).
  • Convenção de nomes: inclua paciente, dente/região, data e versão (ex.: JOAO_SILVA_26_ONLAY_2026-02-13_v2).
  • Versão e rastreio: nunca sobrescreva; arquive versões com breve motivo da nova captura.
  • Integração com o laboratório: valide requisitos (formato, orientação, redução de oclusal/axial) e faça teste de round-trip periodicamente, conferindo se o laboratório recebe exatamente o que você vê na tela.

Indicadores que mostram resultado

Medir poucos indicadores bem escolhidos é suficiente para guiar melhorias:

  • Taxa de remontagem/retrabalho do laboratório por tipo de peça.
  • Tempo de cadeira da etapa de escaneamento (mediana e variação).
  • Percentual de rescans por operador e motivo (umidade, brilho, alinhamento).
  • Conformidade de verificação (quantas passagens atendem aos limites definidos).

Revise mensalmente. Pequenas correções no protocolo, combinadas com manutenção preventiva, costumam reduzir retrabalho e encurtar a entrega clínica.

Sinais de alerta: quando investigar

Fique atento a padrões que pedem ação imediata:

  • Mapas de desvio com áreas “quentes” recorrentes na mesma região.
  • Oclusão digital incompatível com papel carbono repetidamente.
  • Artefatos em degraus, lacunas de malha ou texturas borradas.
  • Aquecimento excessivo da ponta ou mensagens frequentes de perda de rastreio.

Nessas situações, execute calibração/verificação, revise o protocolo e, se necessário, contate o suporte com seu histórico documentado. A solução chega mais rápido quando os dados estão organizados.

Conclusão: previsibilidade que se vê no assentamento

Calibrar, verificar e padronizar não é burocracia; é construir previsibilidade clínica. Um programa enxuto de qualidade para o escâner intraoral diminui retrabalhos, encurta a cadeira e fortalece a confiança do paciente quando a prótese assenta de primeira. Comece simples, meça o que importa e mantenha o registro das suas verificações ao alcance da equipe.

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