Desgaste dentário sob controle: escaneamento seriado orienta a clínica
Desgaste dentário é um processo cumulativo e multifatorial, muitas vezes silencioso até comprometer estética, função e sensibilidade. A boa notícia: a combinação de escaneamento intraoral e análise comparativa ao longo do tempo permite enxergar micromudanças antes que se tornem problemas maiores. Em vez de depender apenas de registros fotográficos e impressões pontuais, a clínica ganha um instrumento objetivo para medir, comunicar e decidir com segurança.
Por que medir e não apenas observar
Atrição, abrasão e erosão podem coexistir. O exame clínico identifica sinais, mas a quantificação é o que dá direção: quanto se perdeu, onde e em que velocidade. O escaneamento seriado captura a superfície dental com precisão, e softwares de sobreposição geram mapas de diferença em micrômetros. Assim, o acompanhamento deixa de ser subjetivo e passa a orientar condutas mínimas e bem justificadas.
Como funciona o monitoramento seriado
- Baseline de qualidade: um escaneamento inicial padronizado, com isolamento e controle de umidade, registra a topografia de todas as arcadas.
- Repetições programadas: novas aquisições a cada 6–12 meses (ou em intervalos menores em alto risco) permitem comparar volumes e áreas críticas.
- Sobreposição precisa: o software alinha os modelos com base em regiões estáveis; o resultado é um mapa colorimétrico que mostra ganho/perda de estrutura por dente e por face.
- Decisão baseada em limiares: valores como 50–100 μm em curto período acendem alerta para proteger e intervir de forma conservadora.
Benefícios clínicos imediatos
- Diagnóstico precoce: identificar início de erosão palatina em pacientes com refluxo antes da exposição dentinária.
- Plano conservador e personalizado: selantes, infiltrações, overlays seletivos e ajustes oclusais com critério, no dente certo e no momento certo.
- Comunicação clara com o paciente: os mapas de desgaste facilitam o entendimento do risco e melhoram a adesão às mudanças de hábitos.
- Documentação robusta: evolução objetiva para respaldar condutas, segunda opinião ou encaminhamentos.
Fluxo prático para a rotina
- Defina o protocolo de captura: sequência fixa (arcada superior, inferior, mordida), isolamento relativo e controle de brilho. Treine a equipe para repetibilidade.
- Padronize a periodicidade: 6–12 meses para a maioria; 3–6 meses em bruxismo ativo, refluxo não controlado ou atletas com dieta ácida.
- Fotografe pontos de interesse: registre superfícies lisas e bordos incisais para correlacionar com o mapa e educar o paciente.
- Integre com exames complementares: radiografias para avaliar estrutura interna quando houver exposição dentinária ou restaurações extensas.
- Estabeleça limiares de ação: por exemplo: perda acumulada >100–150 μm em 12 meses em região funcional = indicação de proteção oclusal e agente remineralizante intensivo.
Interpretando o mapa de desgaste
As escalas de cor mostram a magnitude e a distribuição da perda. Concentre-se em:
- Localização: faces cervicais indicam abrasão, bordos incisais e cúspides apontam para atrição, e superfícies palatinas/labiais lisas sugerem erosão química.
- Simetria: padrões bilaterais são comuns no bruxismo; assimetria pode sinalizar interferências oclusais ou hábitos unilaterais.
- Velocidade: a taxa anual orienta urgência. Variações sazonais (competição esportiva, estresse) também podem surgir.
Limitações e cuidados: restaurações recentes alteram a referência, superfícies muito refletivas exigem controle de brilho, e movimentações ortodônticas devem ser consideradas na hora de sobrepor modelos. A interpretação clínica continua soberana.
Casos de uso que mudam a conduta
- Bruxismo: escolha e ajuste de placa com base no padrão de perda; monitorar eficácia via redução da taxa de desgaste.
- Refluxo gastroesofágico: documentação objetiva para o diálogo com o gastroenterologista; proteção seletiva de bordos incisais.
- Ortodontia e estética: preservar bordos em tratamentos de alinhadores; decidir pelo aumento de dimensão vertical quando há colapso oclusal progressivo.
- Odontogeriatria: vigilância próxima em xerostomia medicamentosa; priorizar medidas remineralizantes e selamentos sem desgaste adicional.
Métricas que importam
- Taxa anual de perda (μm/ano) por dente/face
- Área crítica (mm²) acima de um limiar
- Índice de progressão (proporção de superfícies com perda acelerada)
- Aderência às medidas de proteção (placa, dieta, controle ácido) correlacionada à redução da taxa
Erros comuns e como evitá-los
- Captura inconsistente: variação de ângulo e distância reduz a confiabilidade. Solução: guias de varredura e checklist.
- Sobreposição em regiões instáveis: evite alinhar por áreas com restaurações novas ou dentes movimentados.
- Excesso de brilho: seque, use isolamento e, quando necessário, ajuste as configurações para reduzir reflexos.
- Conclusões apressadas: sempre correlacione o mapa com anamnese, hábitos, fotografia e oclusão.
Valor clínico e retorno
O escaneamento seriado agrega minutos ao atendimento, mas devolve previsibilidade, reduz retrabalhos e fundamenta escolhas conservadoras. A diferenciação percebida pelo paciente aumenta, e as decisões tornam-se transparentes e coesas com a melhor evidência disponível.
Fechando o ciclo com organização digital
Monitorar desgaste exige disciplina: lembretes de recall, armazenamento das comparações e comunicação clara com o paciente. Aqui, um software odontológico moderno faz a diferença. O Siodonto organiza imagens e modelos em uma linha cronológica clínica clara, cria lembretes automáticos para reavaliações e centraliza tudo no prontuário. Para ampliar o alcance, o chatbot do Siodonto confirma e prepara o paciente antes da consulta, enquanto o funil de vendas acompanha quem demonstrou interesse em prevenção e ainda não marcou o retorno. É a tecnologia cuidando do fluxo, para que você cuide do que importa: decisões clínicas precisas e conservadoras.