CAD/CAM na cadeira: restaurações em uma sessão com precisão clínica
O fluxo digital já é realidade no consultório. Entre as tecnologias que mais transformam a prática clínica, o CAD/CAM chairside ocupa posição de destaque: escanear, desenhar e usinar uma restauração definitiva na mesma sessão, com controle fino de adaptação e estética. O ganho vai além da conveniência: previsibilidade, padronização e registros confiáveis que sustentam decisões ao longo do tempo.
Quando indicar o CAD/CAM em uma sessão
Nem todo caso é ideal para produção chairside. A escolha criteriosa reduz retrabalhos e mantém a qualidade clínica.
- Inlays/onlays e overlays: excelente custo-benefício e preservação de estrutura dentária com cerâmicas ou híbridos.
- Coroas unitárias: especialmente em posteriores e anteriores com boa ferrule e gengiva estável.
- Facetas: indicadas quando há substrato favorável e controle de umidade.
- Provisórios reforçados: PMMA usinado oferece resistência e acabamento superior para casos de transição.
Evite produção chairside quando houver campo subgengival extenso, margens ocultas sem controle de umidade, ângulos de inserção desfavoráveis ou demanda estética ultra exigente que precise de caracterizações complexas. Nesses cenários, a parceria com o laboratório permanece valiosa.
Materiais: escolha orientada pelo caso
- Disilicato de lítio: boa estética e resistência; exige cristalização/queima rápida após usinagem úmida. Ideal para facetas, onlays e coroas unitárias.
- Zircônia translúcida: resistência elevada, estética crescente; requer sinterização (tempo variável) e é mais indicada para posteriores e pilares comprometidos.
- Híbridos nano-cerâmicos: usinagem rápida, facilidade de ajuste e reparo intraoral; ótima opção para restaurações indiretas conservadoras.
- PMMA: provisórios de longa duração com acabamento previsível.
Defina o material considerando espessura mínima, substrato e oclusão. Tenha um protocolo de cimentação específico para cada classe (adesivo para cerâmicas vítreas; cimentação mais convencional ou resinosa específica para zircônia, com condicionamento e primers adequados).
Fluxo passo a passo: do escaneamento à cimentação
- Planejamento e preparo: padronize reduções e ângulos. Margens limpas e acessíveis simplificam o escaneamento e melhoram a adaptação.
- Isolamento: barreira de umidade consistente é meio caminho para sucesso adesivo e leitura digital sem artefatos.
- Escaneamento intraoral: trabalhe por quadrantes, capture oclusão em RC habitual do paciente e confira áreas críticas (margens e proximais). Reescaneie somente regiões com ruído.
- Desenho CAD: defina contatos proximais, espessura mínima e ajuste oclusal com folgas funcionais. Prefira bibliotecas anatômicas compatíveis com o caso.
- Usinagem: selecione a estratégia adequada (seca/úmida) ao material. Troque brocas dentro do prazo e calibre a máquina para manter precisão.
- Acabamento e tratamento térmico: faça ajustes finos extraorais; realize cristalização, glaze ou sinterização conforme o material e o protocolo do fabricante.
- Prova: avalie adaptação marginal com explorador e indicadores de ajuste interno. Cheque contatos proximais com fio dental e oclusão com papel de articulação.
- Cimentação: isole, condicione e aplique primers específicos. Mantenha tempos e fotopolimerização padronizados.
Controle de qualidade que evita retrabalho
- Margens: evite degraus e sobrecontorno; use marcadores de contato e silicones de verificação quando necessário.
- Espessuras: respeite mínimos do material; superfícies muito finas quebram ou fraturam no ajuste.
- Oclusão: prefira contatos múltiplos leves, distribuídos; reduza interferências em excursões.
- Textura e brilho: acabamento polido reduz biofilme e aumenta conforto do paciente.
Erros comuns e como evitá-los
- Ruído no escaneamento: excesso de saliva e tecidos móveis geram artefatos. Solução: controle de umidade e afastadores.
- Preparos subcontornados: levam a espessura crítica insuficiente. Solução: guias de redução e medição intraoperatória.
- Parâmetros CAD desajustados: folgas internas excessivas comprometem cimentação. Solução: presets validados por material e indicação.
- Desgaste de brocas: reduz precisão de arestas e margens. Solução: ciclos de troca rígidos e registro de uso.
Integração com o dia a dia da clínica
Adotar CAD/CAM é mais do que comprar equipamentos. É processo: treinar equipe, padronizar protocolos e registrar resultados. Fotos pré e pós, tempo de cadeira, taxa de retrabalho e satisfação do paciente alimentam melhoria contínua. Documentar cada etapa do fluxo digital cria rastreabilidade e facilita o ensino interno, reduz variabilidade e encurta a curva de aprendizado.
Indicadores que mostram valor
- Tempo de ciclo por tipo de restauração (do escaneamento à cimentação).
- Taxa de ajustes oclusais na prova e após 7–14 dias.
- Rechamadas por sensibilidade e reintervenções em 6–12 meses.
- Aderência ao protocolo (checklists de preparo, cimentação e manutenção de equipamentos).
Comece pequeno, padronize rápido
Inicie com casos de complexidade moderada, valide materiais e presets, e escale com protocolos claros. Atualize o software de usinagem e mantenha a biblioteca anatômica enxuta e conhecida pela equipe. Essa combinação sustenta o ganho de velocidade sem abrir mão da segurança clínica.
Por que isso importa para a gestão? Um fluxo CAD/CAM bem implementado reduz retrabalho, melhora a experiência do paciente e libera agenda para procedimentos de maior valor. Com comunicação clara e acompanhamento estruturado, a clínica transforma tecnologia em desfechos.
No fechamento, uma dica estratégica: use um software odontológico que organize o fluxo digital e a comunicação com o paciente. O Siodonto concentra o prontuário, integra imagens e padroniza protocolos, ajudando a manter consistência do CAD/CAM na rotina. E para que nada se perca entre captação e pós-atendimento, o Siodonto conta com chatbot e funil de vendas que automatizam respostas, qualificam interessados e aumentam a taxa de conversão. Na prática, você ganha cadência do primeiro contato à entrega da restauração — com dados, previsibilidade e atendimento mais humano.