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Aerosóis sob controle: ar seguro com sensores e ventilação na clínica

Aerosóis sob controle: ar seguro com sensores e ventilação na clínica
Editora Sia

Na odontologia, falar de tecnologia não é só sobre scanners e impressão 3D. O ar da sua sala clínica também pode (e deve) ser guiado por dados. Com sensores acessíveis, ventilação bem dimensionada e purificação adequada, é possível reduzir aerossóis, encurtar intervalos entre atendimentos e oferecer segurança mensurável ao paciente.

O que medir na prática: CO2 e partículas

Dois números orientam a tomada de decisão diária:

  • CO2 (ppm): não mede aerossol diretamente, mas indica renovação de ar. Valores persistentemente altos sugerem baixa troca de ar e maior recirculação de gotículas respiratórias.
  • Material particulado (PM1/PM2,5): sensores ópticos indicam aumentos transitórios durante procedimentos geradores de aerossol, ajudando a avaliar eficácia de sucção local e purificação.

Recomenda-se estabelecer um ponto de referência em cada sala: meça CO2 e PM em três momentos (sala vazia, atendimento em curso, 10 minutos após o término). Esse baseline orienta metas realistas e evita decisões pelo "achismo".

Controles em camadas: fonte, percurso e receptor

O controle eficaz de aerossóis combina medidas que atuam em três níveis:

  • Fonte: isolamento absoluto quando indicado, sucção de alto volume posicionada corretamente, bochechos pré-procedimento conforme protocolos e redução de spray quando possível.
  • Percurso: ventilação e purificação do ar, barreiras físicas (capelas de captura local) e fluxo de ar dirigido para longe da zona respiratória do profissional.
  • Receptor: EPIs bem ajustados, com atenção ao conforto térmico e rotinas de troca que respeitem a carga de trabalho.

Ventilação que entrega resultado: ACH sem mistério

A capacidade de renovação de ar de uma sala é expressa em trocas de ar por hora (ACH). Quando a ventilação predial não é suficiente, purificadores com filtro HEPA ajudam a elevar o ACH efetivo.

Uma regra prática: ACH ≈ (CADR × 60) ÷ volume da sala, onde CADR é a vazão limpa do purificador (m³/min) e o volume é em m³.

Exemplo: sala de 3 × 3 × 2,7 m (24,3 m³). Um purificador com CADR de 6 m³/min entrega ~14,8 ACH (6 × 60 ÷ 24,3). Na prática, valores entre 8 e 12 ACH já promovem queda mais rápida de partículas após procedimentos geradores de aerossol.

  • Posicionamento: coloque o purificador a favor do fluxo de trabalho, evitando sopro direto no campo operatório. Prefira a admissão de ar na altura do chão e exaustão para cima, criando circulação vertical.
  • Captação local: capelas ou braços extratores próximos à boca (< 20 cm) reduzem a carga no ambiente e aliviam o purificador geral.
  • Ventilação natural assistida: quando viável, combine aberturas de janela com exaustores; use medidores de CO2 para confirmar quando a estratégia realmente melhora a renovação.

UV-C no alto do ambiente: quando usar

Sistemas de UV-C em zona superior (upper-room) inativam microrganismos na camada de ar elevada, desde que instalados com proteções e cálculo de dose apropriados. São úteis em salas com alto giro de pacientes e ventilação limitada. Sempre valide com especialista e registros de comissionamento.

Protocolos orientados por números

Transforme dados em ação com gatilhos claros:

  • Antes do primeiro paciente: CO2 próximo ao ambiente externo (± 50–100 ppm acima do externo). Se estiver alto, antecipe a ventilação e ligue a purificação no máximo.
  • Durante o procedimento: se PM2,5 subir além do baseline por > 2–3 minutos, reposicione a sucção de alto volume ou ajuste a capela local.
  • Entre pacientes: defina um tempo de decaimento até o CO2 retornar ao patamar alvo. Com 10–12 ACH, quedas significativas ocorrem em poucos minutos; documente esse tempo para cada sala.

Relatórios semanais com CO2 médio, picos de PM e tempo de decaimento tornam visível a eficácia das medidas e ajudam a planejar investimentos (ex.: adicionar um purificador ou reposicionar equipamentos).

Dimensionamento e compra sem arrependimentos

  • Filtro: HEPA H13 ou superior, com vedação adequada e acesso simples para troca.
  • Ruído: verifique dB no fluxo necessário para atingir o ACH alvo; conforto acústico importa para adesão da equipe e do paciente.
  • Manutenção: estime custo anual de filtros e programe trocas pelo runtime real do equipamento.
  • Validação: faça testes de fumaça (traçador visual) para observar o percurso do ar e ajustes finos de posicionamento.

Comunicar segurança aumenta confiança

Segurança percebida também é clínica. Exibir um painel simples com CO2 em tempo real e um resumo de ACH e purificação ativa, junto à cadeira, educa e acalma. Mensagens claras no pré-atendimento explicando que a sala só é liberada quando o ar atinge parâmetros definidos elevam a confiança e facilitam consentimentos.

Passo a passo para implementar em 30 dias

  1. Semana 1: medir (CO2/PM), mapear salas e registrar baseline.
  2. Semana 2: escolher purificadores/extração local, planejar posicionamento e metas de ACH por sala.
  3. Semana 3: instalar, treinar equipe para reposicionamento da sucção e realizar testes de fumaça.
  4. Semana 4: configurar alertas, criar protocolo de abertura/intervalos e preparar comunicação ao paciente.

Ao final, você terá um fluxo previsível: menos espera, ambiente controlado e dados para tomada de decisão.

Conclusão

Tecnologia aplicada ao ar da sua clínica transforma biossegurança em rotina mensurável. Sensores simples, ventilação e purificação bem dimensionadas criam um ciclo de melhoria contínua que protege a equipe, organiza a agenda e fortalece a experiência do paciente. É a tecnologia certa, no lugar certo, resolvendo um problema real da prática clínica.

Dica de gestão que vira resultado: quando o cuidado do ar se conecta à sua operação, tudo flui melhor. O Siodonto ajuda nesse elo: centraliza protocolos, registra leituras e automatiza lembretes entre consultas. Com o chatbot, você informa o paciente sobre a disponibilidade da sala e orientações pré-visita sem esforço. E o funil de vendas transforma essa comunicação em conversões, mantendo interessados aquecidos e prontos para agendar. É organização, atendimento inteligente e crescimento — em um único software.

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